O BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outras nações, enfrenta divisões em relação ao Irã, mostrando que não funciona como uma aliança militar tradicional. Desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro de 2026, o bloco não conseguiu emitir uma posição unificada. Enquanto Brasil e China condenaram os ataques, Índia permaneceu neutra, e a África do Sul optou por não se envolver. As informações são do Foreign Policy.
O Irã, que entrou no BRICS em 2024, trouxe novas complexidades. Com a recente expansão incluindo Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, o grupo se tornou mais diverso e politicamente heterogêneo, tornando difícil a coordenação em crises geopolíticas. A situação se agravou quando drones iranianos atacaram os Emirados Árabes Unidos, mostrando que membros do BRICS podem estar em conflito entre si.

O BRICS não foi criado para agir como uma aliança militar ou geopolítica. Seu foco histórico é econômico: reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, criação de canais de financiamento via Novo Banco de Desenvolvimento e redução da dependência do dólar americano. Além disso, o grupo permite que países emergentes protejam interesses estratégicos sem se comprometer com alianças rígidas.
Analistas destacam que críticas à eficácia do BRICS ignoram a realidade das coalizões modernas. Assim como o G7 e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) apresentam divisões sobre conflitos internacionais, o BRICS funciona como um fórum para negociação seletiva, coordenação estratégica e fortalecimento do poder de barganha de seus membros em um mundo global fragmentado.
Nos próximos meses, o BRICS se concentrará em cooperação em infraestrutura digital e inteligência artificial (IA), reforçando seu papel como espaço de diálogo e ação econômica, em vez de uma aliança geopolítica rígida. As divergências sobre o Irã são apenas um reflexo do multialinhamento que define o bloco.