O Congresso do Peru destituiu o presidente interino José Jerí apenas quatro meses após sua posse, aprofundando a crise política que marca o país desde 2016. A decisão foi tomada por meio de voto de censura, mecanismo que exige maioria simples, após a revelação de encontros não registrados com empresários chineses investigados pelo governo. As informações são da BBC.
A medida ocorre em meio a uma série de escândalos que ficaram conhecidos como “Chifa-gate”, envolvendo reuniões fora da agenda oficial e suspeitas de favorecimento. Imagens divulgadas pela imprensa local mostraram Jerí em encontros noturnos com o empresário Zhihua Yang, que possui empresas no Peru e recebeu concessão estatal para um projeto de energia.

A legislação peruana determina que o presidente registre todas as atividades oficiais, o que não ocorreu nesses casos. Jerí pediu desculpas pelas reuniões, mas negou irregularidades e afirmou ser alvo de campanha difamatória.
Crise política no Peru se agrava
Com a destituição, Jerí se torna o terceiro presidente consecutivo a deixar o cargo antes do fim do mandato. Ele havia assumido após o impeachment de Dina Boluarte, em outubro de 2025. Desde 2016, o Peru já teve sete presidentes, cenário que evidencia a instabilidade institucional.
O Congresso deve nomear ainda nesta quarta-feira um novo presidente interino, que ficará no cargo até a realização das eleições gerais previstas para abril. O próximo chefe de Estado será escolhido pelo voto popular.
Investigação e queda de popularidade
Além das reuniões com empresários chineses, vieram à tona informações sobre contratos estatais concedidos após encontros no palácio presidencial, o que aumentou a pressão política. Paralelamente, o procurador-geral abriu investigação por suspeitas de corrupção, enquanto a aprovação do então presidente despencava.
A destituição de José Jerí marca mais um capítulo turbulento da política peruana, que enfrenta sucessivas crises, protestos e denúncias de corrupção nos últimos anos.
Negócios da China
O Peru tem se tornado peça central na expansão da presença econômica e geopolítica da China na América do Sul, com investimentos bilionários e integração comercial em múltiplos setores.
Projetos de infraestrutura estratégicos, como o megaporto de Chancay, financiado e operado em grande parte por empresas chinesas como a Cosco Shipping dentro da Nova Rota da Seda (BRI, na sigla em inglês, de Belt And Road Initiative), transformam o país em um hub logístico para o comércio trans-pacífico, criando novas rotas de exportação entre a América Latina e a Ásia e reduzindo dependência de corredores tradicionais como o Canal do Panamá.
Paralelamente, o crescimento do comércio entre a China e as nações sul-americanas, incluindo o auge nas exportações peruanas de minerais e commodities, consolida Beijing como parceiro econômico dominante na região em meio a uma disputa geopolítica com os Estados Unidos.