Disney filma ‘Mulan’ em Xinjiang, na China, e vira alvo de boicote nos EUA

ONGs de direitos humanos alertaram contra vista-grossa da empresa a violações contra povo uigur na região
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Parte das cenas de “Mulan”, remake da animação da Disney, de 1998, foi filmada na região de Xinjiang, na China. A informação consta nos créditos do filme e gerou mal-estar pelas denúncias de genocídio étnico contra a minoria uigur.

Nos EUA, órgãos de defesa dos direitos humanos já pedem um boicote à empresa. Nas redes sociais, há mobilizações com a hastag #boycottmulan.

Em Xinjiang, no oeste do país, vivem há séculos pelos uigures, muçulmanos e com raízes culturais na Ásia Central. Cerca de um milhão de pessoas estão presas em campos de “reeducação” forçada na província.

Disney filma 'Mulan' em Xinjiang, na China, e vira alvo de boicote nos EUA
Filme “Mulan”, da Disney, é alvo de críticas e boicote (Foto: Divulgação)

Com a promessa de acesso ao público chinês, que não para de crescer, a gigante norte-americana de entretenimento tem feito vista grossa para as denúncias que vem da região.

Nos créditos exibidos ao final do filme, há agradecimentos a diversos órgãos do governo chinês. Entre eles, o escritório de segurança estatal de Xinjiang, sancionado pelos EUA por conta das prisões – denunciadas como estruturas análogas a campos de concentração.

A Disney também agradece a comissão de propaganda do Partido Comunista chinês, responsável pela estratégia de relações públicas cujo objetivo é esconder a existência e a natureza dos campos.

Censura prévia

O site norte-americano Axios apontou que, ao contrário dos jornalistas, cujo acesso a Xinjiang é cada vez mais restrito, os funcionários da Disney tiveram entrada liberada na região.

Disney filma 'Mulan' em Xinjiang, na China, e vira alvo de boicote nos EUA

Embora parte das filmagens tenha ocorrido em Xinjiang, não há personagens uigures no filme. A região é tratada como parte da China “desde tempos imemoriais”, reforçando a mensagem de Beijing que suprime a memória cultural uigur.

As sanções dos EUA entraram em vigor em julho, portanto após as filmagens em Xinjiang. Porém, indicam desafios futuros para empresas norte-americanas interessadas em investir no mercado chinês.

O governo da China tem investido em censura de conteúdos julgados como “subversivos” para exibição no país. Também censura atores e estúdios com ligações ou participações em questões proibidas, como apoio a Hong Kong ou ao Tibet, regiões com histórico de luta por autonomia.

O portal entrou em contato com a Disney, e não obteve resposta.

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