Pix e empresas de fachada: Brasil desmonta esquema de US$ 190 milhões ligado à China e ao PCC

Investigação aponta que rede de eletrônicos teria usado empresas de fachada e o Pix para ocultar receitas, sonegar impostos e lavar recursos associados ao tráfico de drogas

A Polícia Civil de São Paulo e a Secretaria da Fazenda (Sefaz) deflagraram uma operação de grande porte contra uma rede de distribuição de eletrônicos com ligações à China, suspeita de lavar mais de US$ 190 milhões em sete meses. Segundo as autoridades, o esquema teria conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC), considerado uma das principais organizações criminosas da América Latina. As informações são do South China Morning Post.

De acordo com a investigação, a estrutura movimentou mais de 1 bilhão de reais por meio de empresas registradas formalmente, mas que não exerciam atividade comercial real. Os produtos vendidos, como carregadores de celular e balanças digitais, eram importados legalmente. No entanto, a polícia afirma que o modelo financeiro foi montado para ocultar receitas, reduzir artificialmente valores em notas fiscais e lavar dinheiro supostamente oriundo do tráfico de drogas.

(Foto: Polícia Civil SP/Divulgação)
Como funcionava o esquema

Clientes realizavam compras por meio da plataforma Knup Brasil, mas eram orientados a transferir os pagamentos via Pix para diferentes empresas. Essas companhias, segundo os investigadores, atuavam como contas de passagem, fragmentando os valores e dificultando o rastreamento.

As notas fiscais, ainda segundo a apuração, eram emitidas com valores inferiores aos efetivamente pagos. A diferença entre o valor declarado e o fluxo real de caixa levantou suspeitas após um consumidor denunciar entregas incompletas e inconsistências nos documentos fiscais.

A partir dessa denúncia, a polícia chegou a um depósito no bairro do Brás, em São Paulo, e identificou uma rede formada por 14 empresas e ao menos 18 pessoas físicas.

Ligação com o PCC

As autoridades investigam se o Primeiro Comando da Capital ordenou diretamente a operação ou se integrantes da rede buscaram apoio da facção para movimentar grandes quantias. Um suspeito com antecedentes ligados ao grupo foi preso, assim como uma mulher apontada como coordenadora do esquema.

Fundado em 1993 dentro do sistema prisional paulista, o PCC expandiu suas atividades ao longo das décadas, passando a atuar não apenas no tráfico internacional de drogas, mas também em crimes financeiros e estruturas empresariais complexas.

Bloqueio de bens e asfixia financeira

A unidade estadual de recuperação de ativos obteve autorização judicial para bloquear imóveis, depósitos bancários e investimentos financeiros vinculados aos investigados. Segundo o Ministério Público, o objetivo é atingir a base econômica da organização.

Para os promotores, a estratégia de asfixia financeira é considerada fundamental no enfrentamento a estruturas criminosas sofisticadas que utilizam empresas formais para dar aparência de legalidade às operações.

Contexto recente

O caso se soma a outros episódios envolvendo empresários chineses investigados no Brasil por suspeitas de extorsão, sequestro e lavagem de dinheiro, especialmente em regiões comerciais tradicionais da capital paulista.

A investigação segue em andamento para esclarecer o grau de envolvimento da facção criminosa e o alcance internacional da movimentação financeira.

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