Presidente de Cuba fala em diálogo com os EUA, mas admite risco real de conflito

Em entrevista, Miguel Díaz-Canel defende cooperação com Washington, critica bloqueio e afirma que país está preparado para se defender em caso de ação militar

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que ainda vê espaço para diálogo com os Estados Unidos, mas alertou para o risco de confronto militar diante do aumento das tensões entre os dois países. A declaração foi feita em entrevista à Newsweek, realizada em Havana.

Segundo Díaz-Canel, existem áreas concretas para cooperação entre Cuba e os Estados Unidos, como ciência, migração, combate ao narcotráfico, comércio e meio ambiente. Apesar disso, ele reconheceu que o avanço das negociações é difícil, especialmente devido à desconfiança acumulada ao longo de décadas de relações tensas.

Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (Foto: UNclimatechange/Flickr)

O líder cubano criticou o endurecimento das sanções impostas por Washington e afirmou que o país enfrenta uma “agressão multidimensional”, com impactos diretos na economia e na vida da população. Ele também destacou o bloqueio energético recente como um dos principais agravantes da crise atual.

Ao comentar declarações do presidente americano Donald Trump, que teria sinalizado possibilidade de mudança de regime em Cuba, Díaz-Canel adotou um tom firme. Segundo ele, a ilha não busca conflito, mas está preparada para reagir a qualquer ação militar.

“O diálogo é possível, mas precisa ocorrer com respeito à soberania e em condições de igualdade”, afirmou.

Risco de confronto

Díaz-Canel reforçou que Cuba mantém uma doutrina de defesa baseada na chamada “guerra de todo o povo”, caracterizada como uma estratégia defensiva com participação popular. Ele ressaltou que o país não representa ameaça aos Estados Unidos, mas que não ignorará possíveis agressões.

O presidente também alertou que uma eventual ação militar teria consequências graves para ambos os lados. “As perdas humanas e materiais seriam incalculáveis”, disse.

Apesar do cenário de tensão, o líder cubano voltou a defender uma solução diplomática, com foco na construção de relações mais estáveis e cooperativas entre os dois países.

Críticas ao bloqueio e propostas de cooperação

Durante a entrevista, Díaz-Canel reiterou críticas históricas ao embargo econômico dos Estados Unidos, que, segundo ele, já dura mais de seis décadas e limita o desenvolvimento do país.

Ao mesmo tempo, destacou que Cuba está aberta a ampliar relações econômicas, inclusive com investimentos de empresas americanas, caso haja avanços no diálogo bilateral.

Entre as áreas citadas como prioritárias para cooperação estão:

  • comércio e investimentos
  • ciência e inovação
  • educação e cultura
  • segurança e combate ao narcotráfico
  • meio ambiente

O presidente afirmou que acordos nesses setores poderiam beneficiar diretamente as populações dos dois países e reduzir o risco de confronto.

Contexto político e tensões

A entrevista ocorre em um momento de aumento da pressão internacional e de dificuldades internas em Cuba, incluindo escassez de recursos e desafios econômicos.

Ao mesmo tempo, as declarações de autoridades americanas sobre possíveis ações mais duras contra a ilha elevam o nível de alerta no cenário geopolítico.

Mesmo assim, Díaz-Canel insistiu que a prioridade do governo cubano é evitar a guerra. “Os povos cubano e americano merecem viver em paz, com cooperação e respeito mútuo”, concluiu.

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