Ásia e Pacífico

Atividade em reator nuclear da Coreia do Norte coloca agência atômica em alerta

Especialista sugere que plutônio permitira à Coreia do Norte fabricar armamento nuclear menor para ser inserido em seus mísseis balísticos

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) alertou para a retomada de atividades de um reator nuclear de 5 megawatts na Coreia do Norte, capaz de produzir plutônio apto a ser utilizado em armamento nuclear. As informações são da agência Reuters.

“Não houve indícios de operação do reator do início de dezembro de 2018 ao início de julho de 2021. No entanto, desde o início de julho de 2021, houve indícios, incluindo descarga de água de resfriamento, consistente com a operação do reator”, diz o relatório da AIEA.

Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte (Foto: Divulgação/kcnawatch.org)

Segundo David Albright, presidente do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, a produção de plutônio permitira à Coreia do Norte fabricar armamento nuclear menor para ser inserido em seus mísseis balísticos. “A Coréia do Norte deseja melhorar o número e a qualidade de suas armas nucleares”, sugeriu ele.

A AIEA não tem acesso à Coreia do Norte desde que os inspetores do órgão foram expulsos em 2009. Posteriormente, o país deu sequência ao programa de armas nucleares e inclusive retomou os testes, sendo o último deles em 2017.

O monitoramento do país nos últimos anos tem sido feito essencialmente através de imagens de satélites. E foram essas imagens que mostraram recentemente as descargas de água supostamente para resfriamento do reator, o que sugere o funcionamento do reator.

“Não há como saber por que o reator não estava operando anteriormente – embora o trabalho esteja em andamento no reservatório de água durante o ano passado para garantir água suficiente para os sistemas de resfriamento”, disse Jenny Town, dretora do projeto Norte 38, que monitora a Coreia do Norte. “O momento parece um pouco estranho para mim, dada a tendência de enchentes nas próximas semanas ou meses que podem afetar as operações do reator”.

Por que isso importa?

A Coreia do Norte encara ultimamente a Coreia do Sul, bem como as demais nações ocidentais, como “inimiga”. O regime comunista afirma que não há “necessidade de se sentar frente a frente com as autoridades sul-coreanas, e não há questões a serem discutidas com eles”. Isso inclui a questão nuclear.

Ao lado de EUA e Japão, os sul-coreanos têm pressionado Pyongyang a evitar a proliferação de armas nucleares e cooperar para manter a paz e estabilidade na península. As negociações pela desnuclearização do país, porém, estão travadas desde 2019.

A Coreia do Norte quer que os EUA e aliados suspendam as sanções econômicas impostas a seu programa de armas. Até agora, o presidente Kim Jong Un recusou as tentativas de aproximação diplomática do líder norte-americano Joe Biden. A Casa Branca, por sua vez, diz que não fará concessões para que Pyongyang volte às negociações.