A China tem ampliado sua presença nos Bálcãs por meio de uma estratégia de soft power que vai além de grandes obras de infraestrutura e investimentos bilionários. Bolsas de estudo, intercâmbios universitários e a atuação de estudantes nas redes sociais, especialmente no TikTok, tornaram-se instrumentos centrais para moldar percepções sobre o país entre os jovens da região. As informações são da Radio Free Europe.
Programas educacionais financiados por Beijing oferecem diplomas gratuitos, bolsas integrais e acesso a universidades chinesas em rápida expansão. Estudantes da Albânia, Macedônia do Norte, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e até do Kosovo têm compartilhado suas rotinas na China em plataformas digitais, acumulando milhares de seguidores e ampliando o alcance da narrativa chinesa no exterior.

Especialistas apontam que a educação funciona como um canal mais sutil e eficaz de influência, sobretudo entre as gerações mais jovens, tradicionalmente mais abertas a experiências internacionais. A estratégia busca formar redes de relacionamento, criar narrativas positivas e preparar profissionais com vivência direta na China, capazes de atuar como multiplicadores dessa imagem em seus países de origem.
Na Sérvia, principal parceira educacional da China nos Bálcãs, a presença de Institutos Confúcio e acordos bilaterais impulsionou o ensino da língua chinesa em dezenas de escolas. Em outros países, como Albânia e Macedônia do Norte, o interesse cresce mesmo em contextos historicamente pró-Ocidente, demonstrando o alcance da iniciativa chinesa.
Embora os Institutos Confúcio enfrentem críticas e restrições em partes da Europa, nos Bálcãs eles continuam sendo vistos por muitos jovens como portas de entrada para oportunidades acadêmicas e profissionais. A combinação entre intercâmbio educacional e divulgação digital reforça a capacidade da China de projetar influência cultural e política de forma gradual, silenciosa e cada vez mais conectada às redes sociais.