Confronto entre exército e separatistas deixa pelo menos 27 mortos no Paquistão

Rebeldes têm intensificado ataques contra as forças paquistanesas nas últimas semanas

O exército do Paquistão entrou em confronto na quarta-feira (2) com rebeldes separatistas após duas bases militares serem atacadas na província do Baluchistão, num conflito que resultou na morte de pelo menos 12 soldados e 15 militantes, embora os números sejam conflitantes. Segundo as autoridades locais, a ofensiva foi reivindicada pelo Exército de Libertação Balúchi (BLA, da sigla em inglês), noticiou a rede Radio Free Europe.

O ministro do Interior, Sheikh Rasheed Ahmad, relatou em vídeo divulgado nesta quinta-feira (3) que a estimativa do governo é de que quatro soldados e nove militantes tenham perdido a vida quando insurgentes ligados ao grupo pró-independência invadiram um posto de segurança na noite de quarta no distrito de Naushki.

Mais tarde, seis rebeldes e três soldados foram mortos durante outro ataque as forças paquistanesas no distrito de Panjgur.

Forças paquistanesas tiveram postos atacados por rebeldes separatistas em dois distritos da província do Baluchistão (Foto: Twitter/Reprodução)

A contagem de vítimas é ambígua entre as partes envolvidas. Segundo o ministro do Interior do Baluchistão, Mir Zia Langove, cinco militares foram mortos e 12 ficaram feridos em Naushki, enquanto em Panjgur sete soldados morreram e 11 tiveram ferimentos. Questionado sobre o fato de os números não baterem, Langove argumentou: “A operação em Panjgur está em andamento e os números não são definitivos”.

Já o BLA alegou em nota que seus homens-bomba detonaram veículos carregados de explosivos na entrada das bases, ataques que teriam resultado na baixa de mais de 50 soldados.

Na semana passada, os separatistas mataram 10 soldados durante um ataque a uma base perto do porto de Gwadar, no Mar Arábico.

Por que isso importa?

A região árida próxima à fronteira com Irã e Afeganistão, detentora de riquezas naturais como petróleo e gás, é palco de conflitos de grupos separatistas insurgentes que lutam pela independência do Baluchistão e querem a instituição de um governo central em Islamabad, capital do Paquistão. Os rebeldes argumentam que o governo paquistanês monopoliza a exploração dos vastos recursos minerais da província.

Enquanto a província segue em situação de extrema pobreza, com índices de educação baixíssimos e saúde pública precária, grupos nacionalistas Baloch têm travado uma guerra contra o estado do Paquistão.

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