Ásia e Pacífico

Em Goa, na Índia, partido quer regulamentar a siesta após o almoço

Proposta é parte de defesa do “susegad”, estilo de vida típico da região e conhecido pela tranquilidade

O político indiano Vijai Sardesai quer institucionalizar a siesta em Goa, na costa oeste indiana. O cochilo pós-almoço é parte da cultura do susegad, estilo de vida relaxado e típico da região e que tomou emprestada uma corruptela do português, idioma da antiga metrópole.

Se aprovada, a lei tornará “obrigatório” o descanso por uma hora entre 13h e 16h todos os dias. A proposta faz parte da plataforma de campanha de Sardesai para se tornar ministro-chefe do pequeno estado, na costa sudoeste da Índia.

É cada vez maior o número de estabelecimentos que não respeitam a regra informal do cochilo vespertino, em geral de empresários vindos de outras partes do país.

Em Goa, na Índia, partido quer regulamentar a siesta após o almoço
Vacas passeiam em praia de Goa, na costa da Índia, em imagem de 2014 (Foto: Wallstrand/Pixabay)

Em Goa, um dos destinos de férias mais populares da Índia, também é possível encontrar um número cada vez maior de lojas e restaurantes abertas aos domingos.

Ao britânico “The Guardian“, Sardesai, 51, defende a “defesa do ritual”. “A siesta é parte do susegad e susegad é a identidade tranquila, aberta, de Goa. Para nós, goanos, é qualidade da vida, não a quantidade de dinheiro, que importa. Amamos o que temos”, afirma.

A fala de Sardesai vem em meio a um forte debate na região a respeito da duplicação de uma ferrovia e de uma estrada, além do reforço em linhas de transmissão. As obras facilitariam o transporte de carvão rumo ao porto de Mormugão, na cidade goana de Vasco da Gama.

A população tem se manifestado contra os empreendimentos, alegando que destruiriam a floresta do Parque Nacional de Mollem, no leste do estado. Nas redes sociais, a hashtag #SaveMollem ganhou tração nos últimos meses.

Já o atual ministro-chefe goano, Pramod Sawant, afirma que “não pode parar projetos de infraestrutura“, informou o jornal “The Times of India“.

Sossego na costa indiana

A ensolarada região de Goa foi colônia de Portugal nas “Índias” por 400 anos. Em 1510, navegadores portugueses fincaram bandeira na Índia e Lisboa só entregou o território em 1961. O restante do país já era independente havia 14 anos.

A arquitetura local goana poderia ser confundida com a de uma pequena cidade colonial brasileira à beira-mar.

Há dezenas de igrejas católicas, muitas patrimônio da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Entre elas, a Basílica do Bom Jesus, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Catedral da Sé, todas na cidade de Goa Velha.

A cozinha também mistura ingredientes e técnicas lusitanas, como a vinha d’alhos, o chouriço e o sarapatel, com curry e leite de coco. Uma das especialidades locais é o chutney de bacalhau, cozido na banha de porco.