O governo do Japão confirmou que pretende instalar sistemas de mísseis antiaéreos na ilha de Yonaguni, localizada a cerca de 110 km de Taiwan. A medida, prevista para ser concluída até março de 2031, é vista por analistas como um novo capítulo na crescente tensão entre Tóquio e Beijing, em meio à disputa estratégica pelo Indo-Pacífico. As informações são da Al Jazeera.
A ilha de Yonaguni integra o arquipélago de Ryukyu e está no ponto mais ocidental do território japonês. Em dias claros, é possível avistar a costa de Taiwan. A região funciona como uma linha avançada de monitoramento no Mar da China Oriental, área de intensa atividade militar chinesa.
Nos últimos anos, o Japão já ampliou sua presença defensiva na região, com radares, bases logísticas e baterias de mísseis em outras ilhas estratégicas.

O que o governo japonês anunciou
O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, afirmou que os sistemas serão implantados até o ano fiscal de 2030. Segundo o governo, os equipamentos são voltados à interceptação de aeronaves e mísseis balísticos.
A iniciativa ocorre durante o mandato da primeira-ministra Sanae Takaichi, que tem adotado discurso mais firme em relação à segurança regional e à questão de Taiwan.
Após declarações anteriores de autoridades japonesas sobre um possível envolvimento em caso de crise em Taiwan, Beijing adotou medidas diplomáticas e econômicas, incluindo restrições comerciais e aumento da presença militar nas proximidades do Japão.
Impacto econômico
A China é o maior parceiro comercial do Japão desde 2005. O comércio bilateral superou US$ 300 bilhões em 2024. Especialistas apontam que um agravamento nas tensões pode afetar cadeias globais de tecnologia, automóveis e eletrônicos.
Além disso, restrições chinesas à exportação de terras raras podem impactar a indústria japonesa, altamente dependente desses insumos.
O movimento japonês ocorre em meio à crescente rivalidade entre China e Estados Unidos no Indo-Pacífico. Washington tem incentivado aliados a fortalecerem suas capacidades militares e assumirem maior protagonismo regional.
Desde a reinterpretação da política de autodefesa durante o governo de Shinzo Abe, o Japão vem ampliando gradualmente seu papel estratégico.
Por que isso importa?
Taiwan é uma questão territorial sensível para a China, e a queda de braço entre Beijing e o Ocidente por conta da pretensa autonomia da ilha gera um ambiente tenso, com a ameaça crescente de uma invasão pelas forças armadas chinesas a fim de anexar formalmente o território taiwanês.
Nações estrangeiras que tratem a ilha como nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o princípio “Uma Só China“, que também vê Hong Kong como parte da nação chinesa.
Embora não tenha relações diplomáticas formais com Taiwan, assim como a maioria dos demais países, os EUA são o mais importante financiador internacional e principal parceiro militar de Taipé. Tais circunstâncias levaram as relações entre Beijing e Washington a seu pior momento desde 1979, quando os dois países reataram os laços diplomáticos.
A China, em resposta à aproximação entre o rival e a ilha, endureceu a retórica e tem adotado uma postura belicista na tentativa de controlar a situação. Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan e habitualmente invadem o espaço aéreo taiwanês, deixando claro que Beijing não aceitará a independência formal do território “sem uma guerra“.