Marinha da China atravessa cadeia de ilhas e amplia pressão militar no Indo-Pacífico

Navios de guerra chineses cruzam a Primeira Cadeia de Ilhas e elevam alerta no Japão e entre aliados dos Estados Unidos

A China ampliou sua presença militar no Pacífico ao enviar quatro navios de guerra através da Primeira Cadeia de Ilhas, uma zona estratégica criada pelos Estados Unidos para conter o avanço naval chinês na região. A movimentação foi confirmada pelo Ministério da Defesa do Japão, que monitorou a flotilha atravessando o Estreito de Miyako em direção ao Mar das Filipinas. As informações são da Newsweek.

Segundo o governo japonês, os navios partiram do Mar da China Oriental e navegaram por uma das principais rotas marítimas do sudoeste do Japão. A Primeira Cadeia de Ilhas forma um arco que se estende do arquipélago japonês até o Sudeste Asiático, passando por Taiwan e pelas Filipinas, e é considerada um dos principais pilares da estratégia de dissuasão de Washington no Indo-Pacífico.

Destróier Tipo 052D em visita à Rússia (Foto: WikiCommons)

A China possui atualmente a maior marinha do mundo em número de embarcações e tem realizado operações frequentes além dessa linha defensiva, incluindo o envio de porta-aviões. Analistas militares apontam que essas manobras buscam ampliar a capacidade chinesa de resposta a uma eventual intervenção militar dos EUA em conflitos regionais.

Quais navios participaram da operação

O Ministério da Defesa do Japão identificou os navios chineses como o destróier Tipo 052C CNS Xi’an, o destróier Tipo 052D CNS Zibo, a fragata Tipo 054A CNS Binzhou e o navio de reabastecimento Tipo 903A CNS Chaohu. Todos foram acompanhados pela Força Marítima de Autodefesa japonesa durante o deslocamento.

Os destróieres e fragatas envolvidos são considerados peças centrais da frota de superfície chinesa. Cada uma dessas classes conta com cerca de 40 embarcações em serviço ativo, com capacidade significativa de lançamento de mísseis.

Segunda passagem em uma semana

Esta foi a segunda vez, em menos de uma semana, que embarcações chinesas cruzaram o Estreito de Miyako. Dias antes, um navio de coleta de informações da Marinha chinesa também havia transitado pela região. As autoridades japonesas afirmam que não está claro se as missões estão diretamente relacionadas, mas destacam que a China realiza com frequência exercícios navais de longo alcance.

Em declaração pública, o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou que Beijing tem intensificado suas atividades militares ao redor do país, com avanços considerados frequentes e contínuos no Pacífico.

O governo japonês avalia que o ambiente de segurança no leste da Ásia é o mais complexo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Além da China, o Japão cita ameaças vindas da Coreia do Norte e da Rússia. Um relatório recente do Pentágono também aponta que, embora a Primeira Cadeia de Ilhas continue sendo o foco estratégico chinês, o país amplia sua capacidade de projeção de poder em escala global.

O que vem a seguir

Especialistas indicam que a China deve manter e possivelmente intensificar sua presença militar dentro e além da Primeira Cadeia de Ilhas. Em resposta, a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos prevê o fortalecimento da cooperação militar com aliados para conter avanços considerados ameaçadores no Indo-Pacífico.

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