Ásia e Pacífico

Rohingyas evitam testes de Covid-19 para ficar perto da família

Apenas 339 testes foram aplicados até agora nos acampamentos lotados, 29 deles confirmaram infecção por vírus

Refugiados rohingyas em acampamentos de Bangladesh têm evitado testes mesmo quando apresentam sintomas do novo coronavírus. Essas pessoas temem ser separadas de suas famílias para cumprir o isolamento, segundo a agência de notícias Reuters.

Até agora, apenas uma morte foi confirmada nos acampamentos lotados no sudeste do país. Os muçulmanos rohingyas têm buscado abrigo em Bangladesh, após fugirem da repressão no vizinho Mianmar.

Apenas 339 testes foram aplicados até agora, com 29 deles confirmado a infecção pelo Covid-19. Agentes humanitários temem que o vírus esteja se espalhando pelo maior campo para refugiados do mundo.

De acordo com informações da agência de notícias Associated Press, os 34 campos de refugiados da região têm densidade populacional 40 vezes maiores que a média de Bangladesh. Com tanta gente por perto, medidas vitais como o isolamento social tornam-se virtualmente impossíveis.

Para comparação, Bangladesh é um dos países de maior densidade populacional no mundo: são 1.093 pessoas por quilômetro quadrado – o Brasil tem 23,8. Isso significa que, nos acampamentos rohingyas, onde cada barraca tem apenas 10 metros quadrados e muitas abrigam até 12 moradores, são 43,7 mil pessoas em um quilômetro quadrado.

O primeiro caso foi confirmado no dia 15 de maio. Segundo as autoridades bengalis, um refugiado recebeu diagnóstico positivo para a doença no acampamento de Kutupalong. Um membro da comunidade local de acolhimento também teve a infecção confirmada.

Para não se separarem da família, rohingyas evitam testes de Covid-19
Refugiados rohingyas em acampamento em Cox’s Bazar, em Bangladesh (Foto: KM Asad/UN Photo)

Insegurança

De acordo com a Reuters, pesquisadores da Universidade de Yale, dos EUA, entrevistaram moradores do campo e constataram que 25% deles apresentavam pelo menos um sintoma de coronavírus.

A OIM (Organização Internacional de Migração) também apontou que as visitas às clínicas caíram 50% em março e que pacientes com a doença tentaram se esconder dos profissionais de saúde.

As restrições de acesso à internet e aos celulares nos campos também contribuíram com o clima de medo entre os refugiados. Alguns acreditam que pacientes com coronavírus estão sendo mortos para deter a disseminação do vírus.

Rohingya

A maioria dos muçulmanos rohingya fugiu do vizinho Mianmar e ocupam a região desde 2017. Naquele ano, os militares birmaneses lançaram operações contra ataques rebeldes.

As autoridades birmanesas consideram os rohingya como migrantes de Bangladesh, embora muitas famílias vivam no país – de maioria budista – há séculos. Boa parte teve a cidadania negada a partir de 1982, tornando-se apátridas.

As forças de segurança de Mianmar são acusados de atos como assassinatos e queima de milhares de casas. Aos rohingya também foram negados livre circulação e outros direitos básicos, como o acesso à educação.