Ásia e Pacífico

Mianmar apresenta à ONU relatório sobre proteção aos rohingya

Gâmbia acusa o país asiático de um genocídio contra a minoria, após a expulsão de 730 mil muçulmanos do país

Mianmar apresentou um relatório à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas sobre medidas de proteção à minoria rohingya. Os detalhes do documento, anunciado nesta segunda (25), não foram divulgados. As informações são da agência de notícias Reuters.

A Gâmbia, país de maioria muçulmana na África Ocidenteal, entrou com uma ação contra Mianmar na corte, em novembro do ano passado. A acusação é a de que há um genocídio em andamento contra os rohingya, após a expulsão de mais de 730 mil pessoas de seu território.

Os juízes da corte impuseram medidas provisórias para que Mianmar protegesse as provas dos crimes e prevenisse atos de violência. Também pedem atualizações do país a cada seis meses. O relatório entregue nesta segunda seria o primeiro.

Nos últimos dois meses, Mianmar publicou diretrizes presidenciais ordenando ao governo que não cometesse genocídio ou destruísse provas. Foi pedido ainda que o discurso de ódio contra a minoria muçulmana cessasse.

No entanto, grupo de direitos humanos afirmam que não foram tomadas medidas significativas para acabar com a violência contra os rohingyas.

Mianmar apresenta à ONU relatório sobre proteção aos rohingya
Deslocados do grupo rohingya no estado de Rakhine, em Mianmar (Foto: Foreign and Commonwealth Office/Flickr)

Refugiados em Bangladesh

Com a violência cometida em seu país de origem, muitos rohingyas residem em acampamentos no vizinho Bangladesh há quase três anos. Além de enfrentarem as dificuldades de trazido pela condição de refugiados, o grupo precisa lidar com os problemas trazidos pela pandemia do novo coronavírus.

No último dia 15, foi confirmado o primeiro caso de infecção no campo de refugiados rohingya em Cox’s Bazar, leste de Bangladesh. O local abriga cerca de 860 mil muçulmanos rohingya. Outros 400 mil bengalis vivem nas proximidades.

Segundo as autoridades de Daca, um refugiado recebeu diagnóstico positivo para a doença no acampamento de Kutupalong. Um membro da comunidade local de acolhimento também teve a infecção confirmada. Ambos estariam isolados.

De acordo com o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), uma série de medidas de contingência já foram implementadas no acampamento: áreas de triagem, centros de isolamento e tratamento são algumas delas.

Está sendo preparado ainda um centro de quarentena para acomodar 465 pessoas. O local também disporia de 250 leitos para atender pacientes com infecções respiratórias graves.

A estimativa da ONU é que seja necessário US$ 320 milhões para combater o vírus na região nos próximos seis meses. Desse total, US$ 200 milhões seriam destinados a resposta em toda Bangladesh. O restante, US$ 120 milhões, iriam especificamente para a etnia rohingya que reside no país.