O governo do presidente Donald Trump aprovou oito novos pacotes de venda de armas para Taiwan, em um acordo que ultrapassa US$ 11 bilhões e tende a intensificar as tensões diplomáticas entre Estados Unidos e China. Os contratos foram anunciados oficialmente pelo Departamento de Estado e registrados pela Agência de Cooperação em Segurança de Defesa dos EUA (DSCA, na sigla em inglês). As informações são da Bloomberg.
Entre os armamentos aprovados estão 60 obuseiros autopropulsados M107A7, 82 lançadores múltiplos de foguetes HIMARS, 420 mísseis táticos do Exército (ATACMS), além de munições para drones de ataque ALTIUS. Também fazem parte do pacote mísseis antitanque TOW, sistemas Javelin, suporte para mísseis Harpoon e peças de reposição para helicópteros AH-1W SuperCobra.

Um dos principais contratos envolve a chamada Rede de Missão Tática, avaliada em mais de US$ 1 bilhão. O sistema é voltado à comunicação entre unidades militares e inclui softwares, equipamentos e serviços associados, considerados estratégicos para operações de defesa.
Cada venda foi registrada separadamente, o que abre um período de revisão legislativa de 30 dias no Congresso norte-americano. Durante esse prazo, parlamentares podem tentar barrar os acordos por meio de uma resolução conjunta. Historicamente, no entanto, o Congresso dos EUA nunca conseguiu bloquear com sucesso uma venda de armamentos desse tipo.
A China considera Taiwan parte de seu território e reage de forma crítica a qualquer cooperação militar entre a ilha e governos estrangeiros, especialmente os Estados Unidos. Analistas avaliam que a nova rodada de vendas deve provocar respostas diplomáticas e militares de Beijing, ampliando o clima de instabilidade na região do Indo-Pacífico.
Por que isso importa?
Taiwan é uma questão territorial sensível para a China, e a queda de braço entre Beijing e o Ocidente por conta da pretensa autonomia da ilha gera um ambiente tenso, com a ameaça crescente de uma invasão pelas forças armadas chinesas a fim de anexar formalmente o território taiwanês.
Nações estrangeiras que tratem a ilha como nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o princípio “Uma Só China“, que também vê Hong Kong como parte da nação chinesa.
Embora não tenha relações diplomáticas formais com Taiwan, assim como a maioria dos demais países, os EUA são o mais importante financiador internacional e principal parceiro militar de Taipé. Tais circunstâncias levaram as relações entre Beijing e Washington a seu pior momento desde 1979, quando os dois países reataram os laços diplomáticos.
A China, em resposta à aproximação entre o rival e a ilha, endureceu a retórica e tem adotado uma postura belicista na tentativa de controlar a situação. Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan e habitualmente invadem o espaço aéreo taiwanês, deixando claro que Beijing não aceitará a independência formal do território “sem uma guerra“.