Américas

Empresa chinesa dribla sanção dos EUA e negocia petróleo do Irã e da Venezuela

CCPC usa refinarias independentes da China para fornecer petróleo sancionado dos dois países

Um empresa de logística chinesa incluída na lista de restrições financeiras dos EUA, a CCPC (China Concord Petroleum Co.), conseguiu driblar a proibição e tem atuado frequentemente no fornecimento de petróleo sancionado do Irã e da Venezuela. As informações são da agência Reuters.

A sanção não configura um bloqueio físico, o que, teoricamente, permite o transporte e a negociação do petróleo iraniano ou venezuelano. Porém, os EUA têm condição de dificultar a negociação, sob ameaça de punir cidadãos ou empresas que tenham qualquer presença jurídica em território norte-americano e venham a participar do negócio. Isso torna os dois países párias para bancos e compradores.

Navio petroleiro Oslo, em novembro de 2014: foto meramente ilustrativa (Foto: Wikimedia Commons)

Devido à sanção, diversas refinarias do mundo deixaram de comprar petróleo do Irã e da Venezuela. Inclusive algumas da China, que é o maior mercado importador de petróleo no mundo. O alvo da CCPC, então, têm sido refinarias independentes chinesas conhecidas como “bules de chá”.

A CCPC foi responsável pelo transporte de 20% de todo o petróleo exportado pela Venezuela nos meses de abril e maio deste ano, através de navios fretados. O volume corresponde a cerca de US$ 445 milhões, segundo a petroleira estatal venezuelana PDVSA. No ano passado, a empresa adquiriu ao menos 14 petroleiros somente para atuar com os dois países sancionados.

“A China mantém negociações normais e legítimas com o Irã e a Venezuela sob a estrutura da lei internacional, que deve merecer respeito e proteção”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. “A China se opõe veementemente a sanções unilaterais e insta os Estados Unidos a removerem a ‘jurisdição de braço longo’ sobre empresas e indivíduos”.

Alcance limitado

As sanções a Irã e Venezuela foram impostas pelo ex-presidente Donald Trump, a fim de sufocar financeiramente os dois países. Atualmente, as exportações de ambos para a China subiram, e no caso do Teerã já atingiram os níveis anteriores à punição. Já Caracas ainda não conseguiu retomar o ritmo pré-sanção, embora a China responda por 60% de todo o petróleo exportado pelo país.

“Isso mostra que há limitações quanto ao que as sanções dos EUA podem fazer, especialmente quando você tem como alvo vários atores com ideias semelhantes ou seletivamente semelhantes, como comerciantes de petróleo. Portanto, você incentiva esses eixos alternativos de resiliência”, disse Julia Friedlander, especialista em sanções do Tesouro dos EUA.