A guerra na Ucrânia já ultrapassou quatro anos, mas as exportações russas para a Europa continuam movimentando bilhões de euros. Dados recentes do Eurostat mostram que a Rússia vendeu 7,7 bilhões de euros em mercadorias para a União Europeia (UE) entre janeiro e abril de 2026, demonstrando que o comércio entre Moscou e o bloco europeu ainda está longe de ser totalmente interrompido. As informações são do The Moscow Times.
Embora as sanções tenham reduzido drasticamente as trocas comerciais desde 2022, setores estratégicos como energia e metais seguem conectando as economias russa e europeia. A situação evidencia as dificuldades enfrentadas por Bruxelas para eliminar completamente a dependência de determinados produtos russos.

Energia dominante
A energia continua sendo a principal categoria das exportações russas para a Europa. O gás natural liquefeito (GNL) lidera as vendas, seguido pelo petróleo e seus derivados.
Nos últimos anos, a União Europeia proibiu a maior parte das importações de petróleo russo transportado por via marítima. No entanto, as compras de GNL continuam autorizadas. A expectativa é que uma proibição total do combustível entre em vigor apenas em 2027.
Atualmente, cerca de 60% do comércio energético restante entre Rússia e o bloco econômico está relacionado ao GNL. O produto continua chegando ao continente devido à necessidade de garantir segurança energética e evitar impactos econômicos mais severos em diversos países.
Metais escapam
Se o setor energético está gradualmente sendo reduzido, o mesmo não pode ser dito dos metais russos.
Segundo os dados do Eurostat, a Rússia exportou mais de 700 milhões de euros em aço e mais de 65 milhões de euros em alumínio para o bloco europeu apenas nos primeiros quatro meses deste ano.
Empresas russas mantêm operações industriais em diversos países europeus. A produtora de alumínio Rusal possui instalações na Irlanda, Suécia e Alemanha, enquanto a siderúrgica NLMK opera unidades na Bélgica, Itália e Dinamarca.
Essas fábricas desempenham papel importante nas cadeias industriais europeias, produzindo materiais utilizados nos setores automotivo, naval, energético e da construção civil.
Aço preocupa
O aço russo tornou-se um dos principais desafios para os formuladores de sanções em Bruxelas. As importações europeias de placas de aço semiacabadas produzidas na Rússia cresceram 24% na comparação anual, alcançando 1,65 milhão de toneladas métricas entre janeiro e abril.
O principal motivo é econômico: o aço russo continua sendo mais barato do que muitos concorrentes internacionais.
A Bélgica responde por aproximadamente metade dessas importações graças à presença das operações da NLMK no país. Itália e Dinamarca também figuram entre os principais compradores.
Especialistas apontam que uma proibição imediata poderia causar prejuízos significativos para a indústria europeia e ameaçar milhares de empregos, tornando qualquer decisão politicamente sensível.
Pressão sobre alumínio
O alumínio russo também está sob crescente pressão política. Nos últimos meses, investigações abertas na Irlanda e na Suécia colocaram a Rusal sob maior escrutínio após denúncias relacionadas ao possível envio indireto de matéria-prima para a Rússia.
Como resultado, as importações de alumínio russo pela UE caíram para 24.654 toneladas métricas entre janeiro e abril de 2026, contra 108.747 toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.
Bruxelas também avalia novas restrições para impedir que alumínio russo chegue ao mercado europeu por meio de países terceiros.
Sanções limitadas
Apesar das discussões sobre novas medidas, especialistas acreditam que a União Europeia continuará encontrando dificuldades para ampliar as restrições ao setor metalúrgico russo.
A razão principal é a forte integração entre empresas russas e fábricas localizadas em território europeu. O fechamento dessas operações poderia gerar impactos econômicos e sociais consideráveis nos países que as hospedam.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, já afirmou que o bloco busca fechar brechas em seu sistema de sanções. Ainda assim, analistas avaliam que uma interrupção abrupta das importações de aço russo permanece improvável no curto prazo.