A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) lançou oficialmente, nesta quarta-feira (11), a missão Arctic Sentry (Sentinela do Ártico, em tradução literal), iniciativa que marca um novo patamar da presença militar da aliança no Ártico. A operação tem como objetivo fortalecer a coordenação estratégica, ampliar a vigilância e responder ao aumento da atividade russa e chinesa em uma das regiões mais sensíveis do planeta. As informações são da Radio Free Europe.
O lançamento ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Dinamarca e Estados Unidos sobre o futuro político da Groenlândia. Segundo diplomatas ouvidos pela reportagem, a missão surge como uma alternativa para reduzir atritos entre aliados e, ao mesmo tempo, consolidar um papel mais ativo da Otan no extremo norte.

A decisão foi consolidada após reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, realizada no mês passado em Davos, na Suíça. Na ocasião, ficou definido que a aliança deveria ampliar sua atuação na Groenlândia para conter possíveis interferências externas e proteger interesses estratégicos no Ártico.
Em coletiva de imprensa em Bruxelas, Rutte afirmou que a Arctic Sentry reunirá, pela primeira vez, todas as operações da Otan no Ártico sob um comando único. Segundo ele, a iniciativa permitirá ampliar ações já existentes e preencher lacunas operacionais, diante do crescimento da presença russa e chinesa na região.
A comandante suprema aliada da Otan para a Europa, Alexus Grynkewich, destacou em comunicado que a missão reforça o compromisso da aliança com a segurança coletiva e a estabilidade em um ambiente estratégico e ambientalmente desafiador. De acordo com ela, a operação buscará garantir que o Ártico e o Alto Norte permaneçam seguros.
A Otan informou que a missão terá caráter multidomínio, abrangendo operações aéreas, marítimas e terrestres. Ainda não foram divulgados detalhes sobre o número de países participantes nem sobre o efetivo envolvido. Exercícios militares já em andamento, como o Arctic Endurance, realizado pela Dinamarca com outros 11 países europeus, e o Cold Response, que ocorrerá no norte da Noruega e da Finlândia com cerca de 25 mil soldados, integrarão a nova missão.
Sete dos oito países considerados árticos são membros da Otan, com exceção da Rússia. Embora o tráfego naval russo e chinês ainda seja limitado nas águas próximas à Groenlândia, a aliança avalia que o derretimento do gelo marinho e a abertura de novas rotas comerciais podem alterar rapidamente o equilíbrio estratégico da região.
A Arctic Sentry segue o modelo de outras missões criadas pela Otan em 2025, como as operações no Mar Báltico, após denúncias de sabotagem de cabos submarinos, e no flanco oriental da aliança, em resposta a incursões de drones russos.