Ar-condicionado cortado e gasolina limitada: o novo normal em países asiáticos

Com alta histórica nos preços do petróleo, países como Tailândia, Filipinas e Vietnã adotam medidas emergenciais para conter consumo e evitar colapso energético

A escalada da crise no Oriente Médio já provoca efeitos diretos no cotidiano de milhões de pessoas no Sudeste Asiático. Fortemente dependentes do petróleo importado – especialmente da região do Golfo – países como Tailândia, Filipinas e Vietnã estão adotando medidas emergenciais para economizar energia e conter o impacto da disparada dos preços. As informações são do The Guardian.

A situação é considerada crítica. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla em inglês), o mundo enfrenta a maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo, o que pressiona economias altamente dependentes de importações energéticas.

Na prática, a crise já alterou a rotina da população. Na Tailândia, o governo pediu a redução do uso de ar-condicionado e flexibilizou o código de vestimenta de servidores públicos para diminuir o consumo elétrico. Nas Filipinas, parte do funcionalismo passou a trabalhar apenas quatro dias por semana, enquanto no Vietnã autoridades incentivam o home office.

Posto de gasolina na Tailândia (Foto: WikiCommons)

Além das mudanças no dia a dia, governos também adotaram medidas mais estruturais. Há incentivos ao uso de biocombustíveis, redução de viagens oficiais, controle no uso de energia em prédios públicos e até planos para limitar iluminação urbana e funcionamento de postos de combustível.

O impacto econômico já é sentido, principalmente entre trabalhadores mais vulneráveis. Motoristas de transporte público nas Filipinas relatam queda brusca na renda devido ao aumento do preço do diesel, que em alguns casos dobrou em poucas semanas. Ao mesmo tempo, a adoção do trabalho remoto reduziu o número de passageiros, agravando ainda mais a situação.

Para conter os efeitos, governos passaram a oferecer auxílios financeiros e subsídios aos combustíveis. No entanto, especialistas alertam que essas medidas são temporárias e difíceis de sustentar diante da pressão fiscal crescente.

A dependência energética da Ásia é um dos principais fatores de risco. Grande parte do petróleo consumido na região passa pelo Estreito de Ormuz, área diretamente impactada pelo conflito no Oriente Médio. Qualquer interrupção prolongada pode aprofundar ainda mais a crise.

Com o cenário ainda incerto, países do Sudeste Asiático correm contra o tempo para diversificar suas fontes de energia e evitar um colapso mais amplo. Enquanto isso, a população já começa a sentir no bolso (e na rotina) os efeitos de uma crise que está longe de terminar.

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