Em meio à guerra com o Irã, líder europeia critica abandono da energia nuclear

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen afirmou que a diminuição da energia nuclear tornou a Europa mais dependente de combustíveis fósseis

A redução do setor de energia nuclear na Europa foi um “erro estratégico”, afirmou nesta terça-feira (10) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante um evento em Paris. As informações são da Reuters.

Segundo a chefe do Executivo europeu, a queda da participação da energia nuclear no fornecimento de eletricidade deixou o continente mais dependente de combustíveis fósseis importados, justamente em um momento de forte pressão nos preços globais devido à guerra envolvendo o Irã.

Ursula von der Leyen (Foto: WikiCommons)

Von der Leyen destacou que, em 1990, cerca de um terço da eletricidade da Europa era gerada por usinas nucleares. Atualmente, esse número caiu para aproximadamente 15%. Para ela, essa mudança aumentou a vulnerabilidade energética do bloco.

“A redução da participação da energia nuclear foi uma escolha. Acredito que foi um erro estratégico da Europa virar as costas para uma fonte de energia confiável, acessível e de baixas emissões”, afirmou.

Dependência de combustíveis fósseis

De acordo com a presidente da Comissão Europeia, a forte dependência de petróleo e gás importados coloca a região em desvantagem em relação a outras partes do mundo.

A expansão das energias renováveis avançou rapidamente nos últimos anos, mas usinas a gás ainda desempenham papel relevante na matriz energética europeia. Além disso, combustíveis fósseis continuam dominando o consumo de energia em setores como transporte e aquecimento.

A vulnerabilidade energética da Europa ficou evidente em 2022, quando a Rússia reduziu o fornecimento de gás ao continente após a invasão da Ucrânia, provocando forte alta nos preços da energia.

Debate sobre energia nuclear

A decisão de abandonar a energia nuclear foi particularmente marcante na Alemanha, que iniciou o fechamento gradual de suas usinas após o desastre nuclear de Fukushima em 2011.

A política foi adotada durante o governo da então chanceler Angela Merkel, período em que von der Leyen ocupava cargo ministerial.

Nesta terça-feira, o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, criticou as declarações da presidente da Comissão Europeia e classificou sua visão sobre energia nuclear como uma “estratégia retrógrada”.

Segundo ele, a eletricidade gerada por fontes renováveis como vento e sol é mais barata, impulsiona a transição energética e não produz resíduos radioativos.

A Comissão Europeia também anunciou que oferecerá uma garantia de 200 milhões de euros para incentivar investimentos privados em tecnologias nucleares inovadoras. Os recursos devem vir do mercado de carbono do bloco.

Mudança de postura na Europa

Nos últimos anos, alguns países da União Europeia que antes se opunham à energia nuclear passaram a rever suas posições. Entre eles estão Dinamarca e Países Baixos, que buscam alternativas para garantir fornecimento estável de eletricidade com baixas emissões para setores industriais.

Outros países, como Áustria e Luxemburgo, continuam contrários à tecnologia.

A França, maior produtora de energia nuclear da Europa, defende a expansão do setor. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a União Europeia precisa diversificar seus fornecedores de urânio, já que parte do combustível nuclear ainda é importada da Rússia.

Segundo dados comerciais, a França importou 39% de seu urânio enriquecido da Rússia em 2025.

Macron também sugeriu a padronização dos projetos de reatores nucleares na Europa, proposta que poderia beneficiar a empresa estatal francesa EDF, que tem enfrentado dificuldades para vencer licitações recentes para novos projetos no continente.

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