O mundo nunca esteve tão quente: 11 anos de recordes de calor e o que isso significa

Relatório da OMM mostra recordes de calor na Terra e nos oceanos, alta concentração de gases de efeito estufa e alerta para impactos climáticos irreversíveis

Nos últimos 11 anos, o planeta registrou temperaturas históricas, com 2025 entre os anos mais quentes já observados, segundo o relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Especialistas alertam que o aumento contínuo do calor na atmosfera e nos oceanos intensifica os efeitos do aquecimento global e das mudanças climáticas. As informações são da revista Nature.

O documento aponta que a concentração de dióxido de carbono (CO₂) atingiu 423,9 partes por milhão em 2024, maior nível em dois milhões de anos. Outros gases de efeito estufa, como metano e óxido nitroso, também bateram recordes. “Estamos muito além dos limites da variabilidade climática natural”, afirma Thomas Mortlock, analista climático da Universidade de New South Wales (UNSW), na Austrália.

Um homem busca alívio do calor intenso sentado à sombra durante uma onda de calor em Hong Kong (Foto: WikiCommons)

Um dos destaques do relatório é a inclusão do desequilíbrio energético da Terra (EEI), que mede o calor armazenado pelo planeta. Em 2025, o EEI alcançou o nível mais alto desde o início das medições, em 1960. Cientistas afirmam que mais de 91% do excesso de calor do planeta é absorvido pelos oceanos, evidenciando que o aumento das temperaturas da superfície sozinho não mostra a gravidade do aquecimento global.

Além das temperaturas recordes, o relatório alerta para impactos imediatos em saúde pública e meio ambiente. As mudanças climáticas aumentaram a transmissão da dengue, tornando-a a doença viral transmitida por mosquitos que mais cresce no mundo. Comunidades precisarão adaptar moradias, infraestrutura e sistemas de saúde para lidar com eventos climáticos extremos, como ondas de calor e enchentes.

Especialistas reforçam que reduzir emissões de gases de efeito estufa é essencial para limitar os danos futuros, embora parte do aquecimento já seja irreversível. “Estamos entrando em uma nova era climática, com temperaturas significativamente mais altas do que há dez anos”, alerta Sarah Perkins-Kirkpatrick, da Universidade Nacional da Austrália.

Tags: