Quase metade dos decretos de Putin em 2025 foi mantida em sigilo, aponta investigação

Levantamento do site investigativo Vyorstka revela que 44,5% dos decretos assinados pelo presidente russo no último ano não foram tornados públicos

Quase metade dos decretos executivos assinados pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao longo de 2025 foi mantida sob sigilo. A informação consta em uma análise divulgada pelo veículo investigativo exilado Vyorstka, que examinou atos publicados no portal oficial de documentos jurídicos do governo russo. As informações são do The Moscow Times.

Segundo o levantamento, 449 dos pelo menos 1.010 decretos assinados no período foram classificados, o que corresponde a 44,5% do total. Isso significa que esses atos não tiveram seu conteúdo divulgado ao público.

O índice representa um aumento de 3,4 pontos percentuais em relação a 2024. Ainda assim, permanece ligeiramente abaixo dos níveis mais elevados de sigilo registrados nos dois primeiros anos da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, iniciada em 2022.

Vladimir Putin, em foto de 2024 (Foto: WikiCommons)

Entre os 561 decretos que foram tornados públicos em 2025, 52 tratavam da concessão de títulos honorários a unidades militares específicas, de acordo com a Vyorstka. O dado reforça a centralidade das Forças Armadas nas decisões administrativas do Kremlin em meio ao prolongamento do conflito.

A publicação destaca que decretos secretos costumam ser utilizados para decisões administrativas consideradas altamente sensíveis. Entre elas estão condecorações militares concedidas a soldados em combate ou postumamente, além de indultos a prisioneiros condenados que foram recrutados para atuar nas forças armadas russas.

Casos desse tipo já ocorreram no passado. Em 2006, conforme noticiado pelo serviço russo da rede BBC, Vladimir Putin assinou um decreto secreto concedendo ao então empresário Yevgeny Prigozhin, que mais tarde se tornaria líder do Wagner Group, a Medalha da Ordem “Por Mérito à Pátria”, de 1ª classe.

A manutenção de um alto volume de decretos sob sigilo reforça preocupações de analistas e organizações internacionais sobre a transparência do governo russo, especialmente em um contexto de guerra e crescente centralização do poder político.

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