Europa

Câmeras chinesas levantam suspeita de vigilância governamental na Sérvia

Os mais de mil equipamentos instalados em Belgrado têm capacidade de atuar com reconhecimento facial

A instalação de mais de mil câmeras de vigilância nas ruas de Belgrado tem gerado polêmica na Sérvia. Ativistas pelos direitos digitais levantam a hipóteses, que agora começa a se espalhar entre a população, de que o sistema faz parte de um grande projeto governamental de vigilância da população, segundo a rede Euronews.

O equipamento foi fornecido pela gigante chinesa de tecnologia Huawei, aproveitando a boa relação do governo de Aleksandar Vucic com Beijing. A parceria aumenta a desconfiança, pois essa tecnologia constitui um dos pilares do sistema de controle social do Partido Comunista Chinês (PCC).

“Essas câmeras têm a capacidade de reconhecer rostos, objetos, placas… basicamente qualquer transação humana que esteja acontecendo ao nosso redor”, explica o engenheiro forense digital Andrej Petrovski.

Segundo ele, as informações podem ser armazenadas em um banco de dados administrado pelo Ministério do Interior e pelas forças policiais. Isso permite analisar os dados e “cruzá-los com outras fontes e outras informações”.

Uma câmera de vigilância em Belgrado (Foto: Share Foundation/Divulgação)

Os ativistas relatam ter localizado pelo menos 1,2 mil dessas câmeras inteligentes pela cidade. Já as autoridades sérvias negam veementemente que qualquer software de reconhecimento facial esteja em uso. A justificativa oficial é de que as câmeras são usadas apenas controlar o tráfego e eventualmente checar ações criminosas corriqueiras.

Pouca transparência

Há cinco anos, o Ministério do Interior da Sérvia e a Huawei assinaram um contrato com o objetivo de aumentar a segurança nas ruas. O custo total é desconhecido, mas os críticos afirmam que chega a dezenas de milhões de euros.

Também há suspeitas de que as novas câmeras teriam sido espalhadas por todas as partes da cidade durante o lockdown em 2019.

O Governo recusa pedidos da imprensa para abordar o tema, mas o comissário para a Proteção de Dados Pessoais, Milan Marinović, foi ouvido.

Segundo ele, existe a garantia da presidência de que nenhum software de reconhecimento facial está ativado no país, pois a legislação não permite o processamento de dados biométricos.

Perguntado por que câmeras inteligentes foram instaladas, Marinović reconheceu que falta transparência. “Pouco se sabe, e isso gera suspeita entre os cidadãos. Isso é algo que não deveria acontecer. Acho que não há razão para o governo ou o Ministério da Administração Interna reter informações sobre o projeto de vigilância, em que estágio esses planos estão no momento e como eles são executados ”, explica.

Resposta da população

Cidadãos sérvios lançaram o site hiljade.kamera.rs como uma resposta à implantação da tecnologia de vigilância. As informações sobre as câmeras são discutidas na página, já que a população alega não ter acesso a detalhes importantes do projeto.