Governo da Dinamarca acusa China, Rússia e Irã de espionagem

Disputa global pelo Ártico, região de grande interesse geopolítico, é a causa do incidente diplomático, de acordo com Copenhague

A Dinamarca manifestou preocupação na última quinta-feira (13) com a crescente ameaça de espionagem que representam principalmente países como a Rússia, China e Irã. Inclusive na região do Ártico, onde há disputa global de grandes potências por recursos e rotas marítimas. As informações são do site Euroreporter.

O alerta foi emitido pelo Serviço de Segurança e Inteligência dinamarquês, que relatou diversas tentativas de espionagem no país nórdico, que, por conta de seu papel global ativo, tornou-se um alvo tentador.

“A ameaça de atividades de inteligência estrangeira contra Dinamarca, Groenlândia e as Ilhas Faroé aumentou nos últimos anos”, revelou relatório emitido pelo chefe de contrainteligência do departamento, Anders Henriksen.

Geleiras no fiorde de Ilulissat, na Groenlândia, em imagem de março de 2014 (Foto: UN Photo/Mark Garten)

A Groelândia e as Ilhas Faroé adquiriram autonomia política frente à Dinamarca, sendo também membros do fórum do Conselho do Ártico. Copenhague lida com a maioria de seus assuntos estrangeiros e de segurança.

O relatório da inteligência dinamarquesa cita um incidente ocorrido em 2019, com a intenção de criar uma atmosfera turbulenta na região. Uma carta falsa, supostamente enviada pelo ministro das Relações Exteriores da Groenlândia a um senador dos EUA, relatou que um referendo de independência estava prestes a acontecer.

“É muito provável que a carta tenha sido fabricada e compartilhada na internet por agentes de influência russos, que queriam criar confusão e um possível conflito entre a Dinamarca, os EUA e a Groenlândia”, afirmou.

Devido à localização do Estado dinamarquês, seu território é considerado estratégico, sob a perspectiva da geopolítica, pois se encontra entre o Oceano Atlântico e o Mar do Norte, cujos locais contribuem para o abastecimento de navios militares com autorização de passagem. Nesse cenário, o Ártico é uma região visada por Rússia, China e Estados Unidos, que disputam acesso a recursos naturais, rotas marítimas, pesquisa e áreas militares estratégicas.

“Alvo atrativo”

A inteligência dinamarquesa ainda aponta que os serviços de inteligência estrangeiros – que inclui o Irã, além de Moscou e Beijing – estão tentando fazer contato com estudantes, pesquisadores e empresas para coletar informações sobre tecnologia e pesquisa.

Em novembro, uma reportagem da agência Reuters revelou que um professor chinês da Universidade de Copenhague teria realizado pesquisas genéticas em um trabalho conjunto com militares chineses sem relatar o envolvimento.

“A participação ativa da Dinamarca na cena internacional, a crescente globalização e competitividade internacional, a abertura geral da sociedade, a digitalização e um elevado nível de conhecimento tecnológico são fatores que fazem da Dinamarca um alvo atrativo para as atividades de inteligência estrangeira”, resume o relatório do Serviço de Segurança e Inteligência dinamarquês.

As embaixadas de Rússia, China e Irã não responderam aos pedidos de comentário enviados pela reportagem. Moscou rechaça as recentes acusações de espionagem vindas de nações do Ocidente.

Por que isso importa?

O Ártico é uma pauta sensível para dinamarqueses e norte-americanos. Para os europeus, existe o receio de que o entorno regional se torne palco de uma tensão militar. Para Washington, há a possibilidade de decréscimo de poder em área próxima de sua fronteira. A preocupação reflete na maior atividade militar da Federação Russa no Ártico e na questão de segurança internacional. Todavia, os dinamarqueses e estadunidenses são parceiros de longa data, o que coloca Moscou contra a parede nessa questão.

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