Hungria prometeu apoio ao Irã após ataque ataque com pagers do Hezbollah em 2024

Transcrição de ligação entre o ministro húngaro Peter Szijjarto e o homólogo iraniano levanta questionamentos sobre laços políticos de Orbán em meio ao apoio da Casa Branca à sua reeleição

Após o ataque israelense de setembro de 2024 que destruiu milhares de pagers do Hezbollah, o governo da Hungria, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, ofereceu assistência ao Irã, principal patrocinador do grupo. A revelação surge de uma transcrição de ligação entre o ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, e o homólogo iraniano Abbas Araghchi, e levanta dúvidas sobre os alinhamentos internacionais de Orbán, enquanto a Casa Branca apoia sua campanha de reeleição. As informações são do Washington Post.

Logo após o ataque no Líbano, que deixou 12 mortos e cerca de 2,8 mil feridos, Szijjarto informou Araghchi que os serviços de inteligência da Hungria já haviam entrado em contato com os iranianos e que todos os documentos disponíveis seriam compartilhados. A Hungria negou envolvimento direto no ataque, ressaltando que os pagers não foram fabricados no país.

Combatentes do grupo militante Hezbollah realizam exercício no sul do Líbano em maio de 2023 (Foto: WikiCommons)

A ligação, contudo, gerou preocupações sobre a política externa de Orbán, principalmente por ocorrer em um momento de tensão entre EUA e Irã. Ao mesmo tempo, Orbán mantém apoio declarado a Israel, diverge de outros países europeus em votações na ONU e se alinhou ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em abril de 2025, quando anunciou a retirada da Hungria do Tribunal Penal Internacional (TPI).

A aproximação com Teerã ocorre em paralelo ao apoio da Casa Branca à campanha de Orbán, que enfrenta dificuldades eleitorais contra o rival de centro-direita Peter Magyar. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, visitou Budapeste poucos dias antes da eleição, reforçando o suporte à candidatura do premiê húngaro.

A revelação da transcrição coincide com outras denúncias de laços estreitos entre o governo húngaro e Moscou, incluindo ligações regulares de Szijjarto com o ministro russo Sergei Lavrov, coordenando esforços para contornar sanções da União Europeia (UE). Especialistas destacam que a combinação de relações com Rússia e Irã pode gerar contradições no posicionamento internacional da Hungria, especialmente frente ao seu histórico de apoio a Israel.

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