Putin ameaça cortar energia da Europa e redirecionar gás russo para a Ásia

Presidente russo afirma que governo vai avaliar suspensão do fornecimento ao mercado europeu diante de novas restrições da União Europeia ao gás russo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (5) que o governo russo pode avaliar a interrupção do fornecimento de recursos energéticos para a Europa e redirecionar as exportações para países asiáticos. As informações são da Anadolu.

A declaração foi feita durante entrevista à emissora estatal russa VGTRK, em Moscou. Segundo Putin, a possibilidade surge em meio aos planos da União Europeia (UE) de impor novas restrições à compra de gás russo, incluindo o gás natural liquefeito (GNL).

“Eles ainda estão planejando introduzir restrições à compra de gás russo dentro de um mês, com o prazo final no dia 24 e entrada em vigor no dia 25. E dentro de um ano, em 2027, novas restrições poderão ser implementadas, podendo chegar até a uma proibição total”, afirmou.

O presidente Vladimir Putin durante conferência de imprensa em Moscou (Foto: Kremlin.ru)

Putin disse que, diante desse cenário, pode ser mais vantajoso para a Rússia buscar novos mercados.

“Agora outros mercados estão se abrindo, e talvez seja mais vantajoso para nós interromper o fornecimento ao mercado europeu neste momento e migrar para esses mercados que estão se abrindo”, declarou.

Rússia mira mercados asiáticos

O presidente russo afirmou que a Rússia continuará sendo um fornecedor confiável para parceiros que mantêm relações comerciais com Moscou. Ele citou, entre esses países, nações da Europa Oriental que seguem comprando energia russa, como Hungria e Eslováquia.

Putin também argumentou que a atual crise energética não foi provocada pela Rússia, mas por decisões tomadas pelas autoridades europeias.

Segundo ele, políticas energéticas consideradas equivocadas, a adoção acelerada de agendas ambientais e as sanções impostas contra Moscou contribuíram para o aumento dos preços da energia.

Mercado sob pressão

O presidente russo afirmou ainda que fatores geopolíticos recentes estão pressionando os preços globais do gás natural.

Entre eles, citou o fechamento do Estreito de Ormuz e os desdobramentos da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que elevaram a incerteza nos mercados energéticos.

De acordo com Putin, em um cenário de escassez e alta demanda, fornecedores tendem a direcionar o gás para regiões onde os compradores estejam dispostos a pagar mais.

“Se surgirem compradores que paguem mais, alguns fornecedores tradicionais certamente migrarão da Europa para esses mercados”, disse.

Ataque a navio russo

Putin também classificou como “terrorista” o ataque ocorrido na terça-feira contra um navio-tanque russo de gás natural liquefeito no Mar Mediterrâneo.

Segundo o Ministério dos Transportes da Rússia, a embarcação foi atingida perto das águas territoriais de Malta por drones marítimos não tripulados atribuídos à Ucrânia.

Para o líder russo, ações desse tipo aumentam ainda mais a instabilidade no mercado global de energia.

Acusações contra Kiev

Durante a entrevista, Putin acusou o governo da Ucrânia de agir contra interesses da própria União Europeia.

“Acontece que o regime de Kiev está, na verdade, mordendo a mão que o alimenta. A União Europeia fornece assistência sem fim ao regime de Kiev, com armas e dinheiro, e, ao mesmo tempo, Kiev cria um problema atrás do outro para a UE”, afirmou.

Ele também declarou que Kiev, com apoio de serviços de inteligência ocidentais, estaria se preparando para atacar os gasodutos Blue Stream e TurkStream, que transportam gás russo para a Turquia e para países europeus.

“Já informamos nossos amigos turcos sobre essa questão. Veremos o que acontece nessa área, mas este é um jogo muito perigoso”, disse.

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