Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, o presidente russo Vladimir Putin acusa o Ocidente de tentar “cancelar” a Rússia. Quase quatro anos depois, o país segue sob sanções internacionais e boicotes culturais, mas volta a registrar a presença de artistas ocidentais em seus palcos. As informações são do The Moscow Times.
Em 2025, músicos como Tyga, Gucci Mane, Jason Derulo, Akon, Lil Pump, DaBaby e Xzibit se apresentaram em cidades russas, contrariando o isolamento cultural imposto após o início da guerra. Embora estejam longe do primeiro escalão da indústria musical global, esses artistas indicam que parte do mercado voltou a enxergar a Rússia como um território viável para turnês.

Antes da guerra e da pandemia, grandes nomes da música internacional lotavam arenas no país. Red Hot Chili Peppers, Lana Del Rey, Muse, System of a Down e Thirty Seconds to Mars figuravam com frequência nas agendas russas. Após fevereiro de 2022, esse fluxo praticamente cessou, restando apenas apresentações esporádicas de artistas com menor projeção internacional.
O movimento de retomada começou a ganhar força em 2025. Em fevereiro, DaBaby fez sua estreia nos palcos russos, em um show planejado havia anos. Tyga se apresentou em duas ocasiões e agradeceu publicamente o apoio do público local. Lil Pump tocou em Moscou após o cancelamento do show principal anunciado e ainda colaborou com uma cantora russa durante a passagem pelo país.
Akon retornou à Rússia após mais de uma década, com apresentações marcadas por forte interação com o público. Jason Derulo anunciou que pretende incluir o país novamente em sua turnê mundial de 2026, enquanto Gucci Mane chegou a visitar pontos turísticos de Moscou antes de subir ao palco.
Apesar de não haver uma proibição formal para shows de artistas estrangeiros, as sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia (UE) criaram entraves financeiros e jurídicos. Para evitar violações, pagamentos costumam ser feitos por meio de empresas intermediárias fora da Rússia, o que aumenta os riscos legais, segundo a Transparência Internacional Rússia.
A decisão de tocar no país, no entanto, não passa sem críticas. Nas redes sociais, artistas são questionados sobre a legitimidade de se apresentar em um país em guerra. Para críticos musicais russos, os nomes que aceitam convites hoje pertencem majoritariamente a um segundo escalão da indústria e têm menos a perder em termos de imagem.
Promotores locais afirmam que a tendência deve continuar. Segundo a imprensa russa, ao menos 20 artistas estrangeiros já estão previstos para se apresentar no país em 2026. A expectativa é ampliar o número de shows, especialmente nos gêneros rap e pop, sinalizando que o isolamento cultural da Rússia começa a ser, aos poucos, testado novamente.