Aquecimento global e os resíduos humanos ameaçam o Mar Báltico, alertam especialistas

Aquecimento global, eutrofização e sobrepesca aceleram a degradação ambiental e colocam em risco espécies únicas do Mar Báltico

O Mar Báltico enfrenta uma combinação crescente de ameaças ambientais que colocam em risco um dos ecossistemas marinhos mais singulares da Europa. O avanço do aquecimento global, aliado à poluição causada por resíduos humanos e à sobrepesca, tem acelerado a degradação ambiental da região, segundo organizações ambientais e órgãos internacionais de monitoramento. As informações são da Anadolu.

Estudos indicam que foram necessárias várias décadas para que o Mar Báltico atingisse o atual nível de degradação e que a recuperação completa não deve ocorrer em curto prazo. Especialistas apontam que a redução da entrada de nutrientes de origem terrestre é uma das medidas mais urgentes para conter o agravamento do cenário.

Mar Báltico (Foto: SØ JORD/Flickr)
Eutrofização é um dos principais problemas

Entre os maiores desafios ambientais está a eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, provenientes da agricultura, do esgoto doméstico e de efluentes industriais. Esse acúmulo favorece a proliferação intensa de algas, que bloqueiam a luz solar e comprometem a sobrevivência de plantas subaquáticas.

Além disso, a decomposição dessas algas consome grandes quantidades de oxigênio nas camadas mais profundas do mar, formando zonas mortas onde peixes e outros organismos não conseguem sobreviver. Projeções indicam que a deficiência de oxigênio e a acidificação da água devem se intensificar nos próximos anos.

Segundo o Grupo de Ação para o Mar Báltico (BSAG), com sede na Finlândia, grande parte dos nutrientes responsáveis pela eutrofização tem origem nas atividades agrícolas e florestais. Entre as medidas recomendadas estão o uso mais eficiente de fertilizantes, a agricultura sustentável e a limitação do despejo de esgoto no mar.

Sobrepesca e perda de biodiversidade

A ação humana também tem impacto direto na biodiversidade do Mar Báltico. A sobrepesca provocou uma redução drástica nas populações de diversas espécies, com destaque para o bacalhau, que além de diminuir em número, apresentou redução significativa de tamanho ao longo das últimas décadas.

Pesquisas apontam ainda alterações genéticas duradouras nessas populações, resultado da pesca intensiva. De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a enguia europeia está à beira da extinção no Mar Báltico, e restam apenas cerca de 500 toninhas, espécie de pequeno cetáceo considerada criticamente ameaçada na região.

Esforços internacionais tentam conter degradação ambiental

Os nove países banhados pelo Mar Báltico, Suécia, Finlândia, Rússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Alemanha e Dinamarca, atuam em cooperação com a União Europeia para reduzir os impactos ambientais. A Comissão de Proteção do Meio Ambiente Marinho do Báltico (HELCOM) coordena o Plano de Ação para o Mar Báltico, atualizado em 2021, com metas previstas até 2030.

Relatórios de longo prazo indicam que, sem as medidas de redução de nutrientes implementadas desde a década de 1980, a situação do Mar Báltico seria ainda mais grave atualmente. Mesmo assim, a biodiversidade subaquática continua em declínio, pressionada também pelas mudanças climáticas.

Infraestrutura submarina e riscos ambientais adicionais

Além dos problemas ecológicos, o fundo do Mar Báltico abriga munições não detonadas, vazamentos químicos e naufrágios da Segunda Guerra Mundial, que ainda representam riscos ambientais e estruturais. A União Europeia financia ações de remoção e monitoramento desses resíduos, considerados ameaças à vida marinha e a infraestruturas críticas, como cabos de comunicação e linhas de energia.

As explosões dos gasodutos Nord Stream, em 2022, reforçaram as preocupações com a segurança da infraestrutura submarina e levaram a um aumento da fiscalização e dos investimentos em proteção ambiental do leito marinho.

Especialistas alertam que, sem o fortalecimento das políticas ambientais e a cooperação contínua entre os países da região, o futuro do Mar Báltico seguirá marcado por perdas irreversíveis de biodiversidade e pela deterioração de um ecossistema único no mundo.

Tags: