Economia

Burkina Faso, Iêmen e partes da Nigéria encerram 2020 à beira da fome

Pandemia, conflitos, inflação, crise econômica e desastres naturais aumentaram insegurança alimentar pelo mundo

Em 2020, Burkina Faso, Iêmen e o nordeste da Nigéria chegaram perto da fome generalizada. Na sequência, vem o Sudão do Sul, onde conflitos entre comunidades e enchentes debilitaram a capacidade da população de conseguir alimentos básicos.

O dado, compilado pela revista “The New Humanitarian“, elencou as situações mais graves de insegurança alimentar em todo o mundo. Foi usado como base o guia mais recente do PMA (Programa Mundial de Alimentos) e da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Já são 13,5 milhões de iemenitas passando fome com frequência. Entre os motivos, a guerra civil que desde 2015 castiga o país, acompanhada de inflação e colapso cambial.

Burkina Faso, Iêmen e partes da Nigéria encerram 2020 à beira da fome
Criança iemenita carrega água potável em meio a escombros da cidade de Áden, no Iêmen, em abril de 2020 (Foto: Unicef)

Já a população de Burkina Faso, no Sahel africano, é punida pelos conflitos entre o governo e grupos jihadistas que tomaram a porção desértica ao norte do país. Operam na região militantes ligados à Al-Qaeda e ao EI (Estado Islâmico).

No país, 2020 foi o ano onde a demanda por ajuda humanitária triplicou: hoje, são 3,2 milhões sem acesso a produtos básicos para alimentação e higiene. Os vizinhos Mali e Mauritânia também sofrem com a escalada de violência e empobrecimento da população.

A jihad também é culpada pelo aumento exponencial da pobreza no nordeste da Nigéria. Por ali, o Boko Haram, ligado ao EI, é o maior responsável por deixar quase um milhão de pessoas sem acesso a nenhum tipo de auxílio de organizações multilaterais ou de direitos humanos.

Sem guerras, Zimbábue e Venezuela convivem com casos persistentes de hiperinflação que levaram a um quase colapso alimentar. Para este ano, estimativas indicam alta de preços de 319% nos bolsos zimbabuanos e mais da metade da população sem acesso à alimentação adequada e constante.

Em Caracas, os dados confiáveis mais recentes indicam que o índice superou 130.000% em 2018 e 9.586% em 2019 – neste ano, a conta é de em média 2.000% mensais.

Em todos os casos, a pandemia do novo coronavírus evidenciou um misto de má gestão econômica, conflito, autoritarismo e desastres naturais. Também dificultou a chegada de recursos por meio de remessas vindas de expatriados, uma das principais fontes de renda de todos os países em crise alimentar grave.