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Chefe do FMI sobrevive às acusações de que teria favorecido a China

Diretora-geral foi investigada após ser acusada de manipular relatório para favorecer a China no período em que foi diretora do Banco Mundial

Apesar da desconfiança envolvendo seu nome nas últimas semanas, Kristalina Georgieva será mantida na liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela foi investigada após ser acusada de manipular um relatório para favorecer a China no período em que foi diretora-geral do Banco Mundial, em 2017, antes de ingressar no FMI em 2019. As informações são da rede CNBC.

Um relatório publicado em setembro pelo escritório de advocacia WilmerHale, solicitado pelo comitê de ética do banco, apontou que durante sua passagem no Banco Mundial, “Georgieva se envolveu diretamente nos esforços para melhorar a classificação da China [no Relatório Doing Business]”.

As classificações de “Doing Business” são reconhecidas como uma das mais confiáveis pesquisas anuais do Banco Mundial na avaliação do grau de amizade de uma nação para fazer negócios.

Georgieva escapou da degola após o FMI reafirmar “total confiança” no seu trabalho (Foto: Preiss/MSC)

No relatório de 2018, a China foi inicialmente classificada em 85º, mas, após influência da equipe de liderança e intervenções de Beijing, o país subiu para o 78 º lugar, mesma posição do ano anterior, de acordo com a avaliação WilmerHale.

Georgieva nega as acusações e diz que este foi “um episódio muito difícil no plano pessoal”. Ela recebeu o apoio de diversos membros do Banco Mundial e teve até um suporte ilustre do Prêmio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz.

De acordo com a rede Euronews, o envolvimento dela não ficou provado. O caso dividiu os 24 membros do conselho de administração, com os Estados Unidos reticentes na recondução da diretora búlgara.

No Twitter, a conta oficial do FMI declarou na segunda-feira (11) que “O Conselho Executivo do FMI concluiu sua análise da investigação do relatório Doing Business 2018 do Banco Mundial. O Conselho reafirma sua total confiança em Georgieva, sua liderança e capacidade de continuar a desempenhar com eficácia as suas funções”.

Washington também acabou endossando a continuidade de Georgieva. Em comunicado, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, diz que “as preocupações são legítimas” e que o “objetivo é preservar a integridade e credibilidade” do Banco Mundial e do FMI.

“Dano já está feito”

No entanto, o incidente levanta amplas questões sobre a reputação do FMI daqui para frente.

Timothy Ash, estrategista de mercados emergentes da Bluebay Asset Management, definiu o episódio como “crise fundamental de confiança no FMI”. “O dano já foi feito. As pessoas agora estão questionando todo o trabalho que o FMI faz e não apenas aquele que tem algum tipo de vínculo com o relatório Doing Business do Banco Mundial”, declarou ele em nota.