EUA já assassinaram um líder mundial? Entenda o histórico, a lei americana e o impacto geopolítico

Morte do aiatolá Ali Khamenei reacende debate sobre proibição de assassinatos políticos pelos Estados Unidos e marca possível ruptura na política externa americana

Os Estados Unidos já assassinaram um líder mundial? A pergunta voltou ao centro do debate internacional após a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em um ataque atribuído a uma ação coordenada entre EUA e Israel. As informações são da CNN.

De acordo com analistas ouvidos pela emissora, o episódio pode representar a primeira vez, na história moderna, em que os Estados Unidos mataram abertamente o chefe de Estado de outro país. O caso marca uma escalada significativa nas tensões entre Washington e Teerã e reacende discussões sobre os limites legais e morais da política externa americana.

Manifestação pró-governo em Teerã em janeiro de 2026 (Foto: WikiCommons)
Existe uma proibição contra assassinatos políticos?

Sim. A legislação americana proíbe o envolvimento do governo em assassinatos. A norma mais recente foi formalizada por meio de ordem executiva assinada pelo então presidente Ronald Reagan, e tecnicamente segue em vigor.

No entanto, após os atentados de 11 de setembro de 2001, o Congresso concedeu amplos poderes ao presidente para usar força militar no combate ao terrorismo. Desde então, diferentes governos passaram a autorizar operações letais contra líderes considerados ameaças à segurança nacional.

Casos anteriores

Embora os EUA historicamente tenham evitado assassinatos diretos de chefes de Estado, há precedentes de envolvimento indireto ou em contextos de guerra.

Em 2020, o presidente Donald Trump ordenou a morte do general iraniano Qasem Soleimani em um ataque aéreo no Iraque. Soleimani não era chefe de Estado, mas ocupava posição estratégica no regime iraniano.

Durante a Guerra do Iraque, Saddam Hussein foi capturado após a invasão liderada pelos EUA e posteriormente executado pelo governo iraquiano, após julgamento.

Na Líbia, Muammar Gaddafi morreu em 2011 após ser capturado por forças rebeldes, em meio a uma ofensiva militar apoiada por países ocidentais.

Já na década de 1970, investigações revelaram que a CIA esteve envolvida em operações para desestabilizar governos estrangeiros. O chamado Comitê Church, criado após o escândalo de Watergate, documentou tentativas de assassinato contra líderes como Fidel Castro.

No Chile, os EUA tiveram envolvimento indireto na crise que culminou na deposição do presidente Salvador Allende, em 1973.

Mudança de estratégia após 11 de setembro

Durante o governo de Barack Obama, os Estados Unidos ampliaram significativamente o uso de drones em operações contra suspeitos de terrorismo no exterior.

A justificativa passou a se concentrar na ideia de ameaça iminente e autodefesa preventiva. No caso recente envolvendo Khamenei, Trump afirmou que agiu para neutralizar um risco imediato, embora não tenha apresentado provas públicas.

Abertura de precedentes

A morte de um chefe de Estado por ação direta ou coordenada com Washington representa uma ruptura relevante na diplomacia internacional. Especialistas apontam que a prática pode abrir precedentes e elevar o risco de retaliações e instabilidade global.

Além disso, a decisão reacende um debate histórico dentro dos próprios Estados Unidos: até que ponto o combate a ameaças externas pode justificar a eliminação de líderes estrangeiros?

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