O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad quase foi vítima de um assassinato após seu veículo ser sabotado, conforme relatado pela mídia iraniana na quarta-feira (24). As informações são da Newsweek.
Na noite (horário local) de segunda-feira, 15 de julho, Ahmadinejad e sua comitiva estavam prestes a partir para a cidade de Zanjan para uma cerimônia religiosa. Durante uma inspeção de rotina, o chefe de segurança de Ahmadinejad verificou o veículo principal, um Toyota Land Cruiser, e observou que o ar condicionado estava com defeito, sugerindo que ele utilizasse um carro alternativo. O Land Cruiser acabou sendo usado para transportar a equipe do ex-presidente.
Na rodovia Karaj-Qazvin, próximo a Abyek, o carro perdeu o controle, os freios falharam e colidiu com outro veículo da escolta de Ahmadinejad. Um passageiro ficou ferido e precisou ser hospitalizado. Os ferimentos não foram graves.

Dois dias antes da viagem, a equipe de segurança de Ahmadinejad teria enviado o Land Cruiser para reparos devido ao ar condicionado com defeito. No entanto, em vez de levá-lo à oficina, “agentes especiais de segurança” o levaram para um local desconhecido e depois o devolveram, afirmando que o problema havia sido solucionado.
Fontes do Iran International não especificaram a que organização pertenciam os agentes especiais que pegaram o carro. No entanto, membros de alto escalão de uma das três subdivisões da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), instituição militar oficial do Irã, poderiam ter a autoridade para retirar o veículo sem coordenação com o Corpo de Proteção Ansar, uma organização paramilitar vinculada ao Irã, possibilitando a sabotagem.
Ahmadinejad se registrou para a eleição presidencial após a morte do então presidente Ebrahim Raisi em um acidente de helicóptero, mas foi desqualificado. Ele não apoiou nenhum candidato.
No ano passado, o gabinete de Ahmadinejad alertou oficiais militares e de segurança sobre atividades suspeitas contra o ex-presidente. O ex-mandatário já havia mencionado ameaças à sua vida e sugerido em março de 2021 que seu assassinato poderia ser planejado e atribuído a terceiros.
Durante seu mandato, entre 2005 e 2013, Ahmadinejad acelerou as disputas do Irã com os países ocidentais para manter o programa nuclear do país. Em 2009, sua disputada reeleição gerou os maiores protestos já vistos no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em 2017, o ex-presidente foi proibido de concorrer à reeleição pelo líder supremo aiatolá Ali Khamenei. O político que nega o Holocausto, porém, se registrou mesmo assim e acabou desqualificado. Desta vez, o pleito deve ser um teste de legitimidade aos governantes clericais do Irã.
Ele também enfrentou críticas internas por questões de direitos humanos e corrupção.