Arábia Saudita fica de fora do Conselho de Direitos Humanos após votação

Riad perdeu a eleição para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, após pressão de grupos que a acusam de graves violações

Os membros da ONU (Organização das Nações Unidas) recusaram a candidatura da Arábia Saudita para integrar o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (UNHRC), em meio a críticas de ativistas que apontam o país do Golfo como um dos maiores violadores de direitos humanos no cenário global. As informações são da Associated Press.

Na quarta-feira (9), a Assembleia Geral da ONU escolheu 18 novos integrantes para o conselho composto por 47 nações, entre eles Suíça, Coreia do Sul e Etiópia. As vagas são alocadas com base em grupos regionais, e a maioria dos países disputou sem concorrência. As exceções ocorreram na região denominada “Ásia-Pacífico” pela ONU, que inclui Arábia Saudita, Tailândia e Catar, onde seis nações competiram por cinco cadeiras.

Sessão da Assembleia Geral da ONU (Foto: UN Geneva/Flickr)

O Conselho de Direitos Humanos da ONU tem um histórico de incluir membros com registros problemáticos justamente na área que deveria monitorar. No ano passado, China e Cuba foram reeleitas para novos mandatos de três anos, e países como Venezuela e Rússia também participaram do conselho recentemente.

Apesar dessa lista polêmica, o conselho tem destacado violações de direitos humanos em alguns países. Uma investigação conduzida pelo órgão revelou que o governo da Venezuela cometeu crimes contra a humanidade contra opositores após as eleições contestadas de julho.

Especialistas designados pelo conselho também têm focado no agravamento das condições de direitos humanos em países como Sudão e Haiti. O tratamento dado por Israel aos palestinos também tem sido duramente criticado pelo conselho ao longo dos anos, provocando reclamações dos EUA sobre um possível viés contra seu aliado.

A votação representa um golpe para o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita, que vem tentando transformar a economia do país e promover mudanças sociais. O reino já havia falhado em garantir uma vaga no conselho em 2020.

Apesar de avanços recentes, como a limitação do poder da polícia religiosa, o fim da proibição de mulheres ao volante e o aumento da participação feminina na força de trabalho, a Arábia Saudita ainda enfrenta fortes críticas de especialistas e governos em relação aos direitos humanos. Um relatório da Human Rights Watch (HRW), publicado no ano passado, revelou que as autoridades sauditas utilizaram explosivos e armas para matar centenas de migrantes e requerentes de asilo etíopes na fronteira do país.

Além disso, a Anistia Internacional (AI) aponta que o país continua executando uma pessoa a cada dois dias. Até agora, 206 pessoas foram condenadas à morte este ano no país, superando seu próprio recorde de 196 execuções registrado apenas no ano anterior.

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