Pressão internacional pesou? Premiê do Líbano endurece contra o Hezbollah após ataques a Israel

Nawaf Salam classifica ações do Hezbollah como ilegais, enquanto Israel intensifica ataques aéreos e crise humanitária se agrava no sul do Líbano

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, anunciou a proibição das atividades militares e de segurança do Hezbollah após o grupo lançar foguetes e drones contra Israel a partir do território libanês. A decisão marca um dos posicionamentos mais duros do governo libanês contra a organização apoiada pelo Irã. As informações são da Al Jazeera.

Segundo Salam, todas as ações do Hezbollah fora da estrutura oficial do Estado são “ilegais”. O premiê também determinou que as forças de segurança impeçam novos ataques contra Israel que partam do Líbano, reforçando o compromisso com a cessação das hostilidades e a retomada das negociações diplomáticas.

Combatente do grupo militante libanês Hezbollah durante exercício em 2023 (Foto: WikiCommons)

A escalada do conflito ocorreu após o Hezbollah afirmar que seus ataques foram uma retaliação pela morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, Israel realizou bombardeios no sul de Beirute, deixando dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos, de acordo com autoridades locais.

O exército israelense informou ainda ter eliminado um alto integrante da inteligência do Hezbollah em um ataque aéreo noturno na capital libanesa. Israel sustenta que continuará suas operações militares contra o grupo.

Desarmamento

O Hezbollah já vinha sob pressão dos Estados Unidos e de Israel para aceitar um plano de desarmamento. O governo libanês confirmou que está implementando um processo em etapas para desmontar os arsenais do grupo no sul do país, especialmente na região entre os rios Litani e Awali.

O grupo, no entanto, rejeita o plano, alegando que o acordo de cessar-fogo firmado em novembro de 2024 previa desarmamento apenas ao sul do rio Litani. A divergência aprofunda a tensão política interna e coloca o governo libanês em uma posição delicada.

Crise humanitária no Líbano

A nova escalada militar entre Israel e Hezbollah ameaça agravar a já severa crise econômica e política no Líbano. Relatos apontam deslocamentos em massa de moradores do sul do país e dos subúrbios ao sul de Beirute, aumentando o risco de uma crise humanitária no país.

Além disso, a Embaixada dos Estados Unidos em Beirute recomendou que seus cidadãos deixem o país imediatamente, classificando a situação de segurança como “instável e imprevisível”.

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