Uma pesquisa do instituto RealTime Big Data revela um cenário de forte insatisfação da população brasileira com a atuação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Segundo o levantamento, 79% dos entrevistados defendem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O estudo foi realizado entre os dias 17 e 19 de março de 2026, com 1.500 entrevistas em todo o país. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Além do apoio majoritário à classificação das facções como terroristas, os dados mostram uma avaliação negativa do desempenho do governo na área de segurança pública. Para 46% dos entrevistados, o combate ao PCC e ao Comando Vermelho é “péssimo”, enquanto 34% consideram “ruim”. Apenas 20% avaliam a atuação como “boa” (12%) ou “ótima” (8%).

O levantamento também testou a percepção dos brasileiros sobre uma possível influência internacional no tema. Para 66% dos entrevistados, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump deveria considerar PCC e CV como organizações terroristas, enquanto 34% discordam.
A pesquisa abrangeu eleitores de todas as regiões do país, com predominância do Sudeste (42%), seguido pelo Nordeste (28%) e Sul (15%). O perfil dos entrevistados é equilibrado entre homens (47%) e mulheres (53%), com maior concentração na faixa etária de 35 a 59 anos (46%).
O governo brasileiro tem se mobilizado nos bastidores para frear uma proposta considerada uma afronta à soberania nacional. O chanceler Mauro Vieira discutiu o tema com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e pediu que qualquer decisão seja postergada até eventual encontro entre Lula e Donald Trump. Paralelamente, no dia 11 de março, Lula conversou com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sobre o combate ao crime organizado na América Latina, com a participação do assessor Celso Amorim.