Hantavírus pode causar uma nova pandemia? Entenda as diferenças para a Covid-19

Surto registrado no navio MV Hondius reacende alerta global sobre o vírus Andes, mas pesquisadores afirmam que transmissão é mais limitada e pode ser contida com medidas básicas de isolamento

O surto de hantavírus registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que deixou três mortos e diversos infectados entre abril e maio deste ano, reacendeu temores de uma nova crise sanitária global semelhante à pandemia de Covid-19. Apesar da preocupação internacional, especialistas afirmam que o vírus Andes, variante responsável pelos casos, possui características muito diferentes do coronavírus SARS-CoV-2. As informações são da Deutsche Welle.

O navio atracou em Tenerife, na Espanha, após semanas de monitoramento sanitário. Passageiros e tripulantes, oriundos de países como Alemanha, França e Austrália, passaram por protocolos rigorosos de desembarque, incluindo uso de máscaras FFP2, equipamentos de proteção individual e transporte controlado de bagagens.

Representação em 3D do hantavírus, agente infeccioso associado à Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH) e que voltou a gerar preocupação internacional após um surto registrado em um navio de cruzeiro (Imagem: WikiCommons)

De acordo com Roman Wölfel, chefe do Instituto de Microbiologia da Bundeswehr, na Alemanha, o hantavírus pode ser transmitido entre pessoas, mas apenas em situações de contato muito próximo e com capacidade de disseminação muito inferior à observada na Covid-19.

“O vírus Andes não apresenta o mesmo potencial pandêmico dos coronavírus ou dos vírus da gripe”, explicou o especialista em entrevista à DW.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é uma doença infecciosa conhecida desde 1993 e está associada principalmente ao contato com secreções de roedores contaminados. Em alguns casos, especialmente envolvendo o vírus Andes, também pode ocorrer transmissão entre humanos.

A infecção pode evoluir para a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), quadro grave que afeta os pulmões e pode provocar insuficiência respiratória.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 229 casos e 59 mortes por hantavírus nas Américas em 2025.

Surto na Argentina ajudou a conter novo avanço

Especialistas destacam que o conhecimento acumulado em surtos anteriores tem sido fundamental para evitar uma propagação mais ampla. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine analisou um surto ocorrido na Argentina entre 2018 e 2019, quando 18 pessoas foram infectadas pelo vírus Andes e 11 morreram.

Na ocasião, medidas como isolamento de pacientes e quarentena voluntária reduziram drasticamente a taxa de transmissão.

Os pesquisadores apontaram que o número médio de pessoas infectadas por cada paciente caiu de 2,12 para 0,96 após a adoção das restrições sanitárias.

No caso do MV Hondius, porém, especialistas apontam que houve demora na confirmação laboratorial da doença. A primeira morte ocorreu em 11 de abril, mas o hantavírus só foi oficialmente identificado mais de três semanas depois.

Mesmo assim, autoridades sanitárias espanholas afirmam que todas as medidas necessárias foram adotadas assim que o navio chegou ao porto de Granadilla.

Existe risco de pandemia?

Apesar da repercussão internacional, cientistas consideram improvável que o hantavírus provoque uma pandemia semelhante à Covid-19.

A principal diferença está na capacidade de transmissão. Enquanto o coronavírus se espalhava rapidamente pelo ar em ambientes comuns, o hantavírus exige contato muito mais próximo e prolongado entre pessoas.

Além disso, autoridades de saúde já conhecem os sintomas, formas de transmissão e protocolos de contenção da doença, algo que não existia no início da pandemia de coronavírus.

Atualmente, ainda não existe vacina contra o hantavírus.

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