A guerra no Irã levanta novas preocupações sobre a possibilidade de um ataque chinês a Taiwan, uma das regiões mais sensíveis nas relações entre China e Estados Unidos. Especialistas afirmam que, embora um ataque imediato seja improvável, a combinação do conflito no Oriente Médio, mudanças na liderança militar chinesa e o calendário político internacional podem aumentar o risco de ações futuras de Xi Jinping contra a ilha. As informações são da The Economist.
O envolvimento dos Estados Unidos no Oriente Médio tem transferido recursos militares do Indo-Pacífico, reduzindo a prontidão americana na região. Isso pode tornar mais atraente para Xi considerar operações militares contra Taiwan no futuro próximo.
O Exército de Libertação Popular (ELP) já aprimorou sua capacidade de invadir a ilha e realiza testes frequentes das defesas aéreas de Taiwan, embora uma invasão anfíbia ainda seja arriscada e custosa, especialmente diante da possível intervenção americana.

Além disso, fatores políticos, como as eleições presidenciais de Taiwan em 2028 e o término do quarto mandato de Xi em 2032, podem influenciar o momento de uma ação chinesa. A aproximação ou o afastamento das negociações com os Estados Unidos, incluindo compromissos de segurança que podem ser diluídos por Donald Trump, também afetam a janela estratégica da China. Se o conflito no Oriente Médio se prolongar, Xi teria mais tempo para concluir reformas militares, aperfeiçoar táticas de invasão anfíbia e testar respostas internacionais antes de agir.
Embora um ataque imediato seja considerado improvável, a combinação de fatores geopolíticos, militares e econômicos faz da ilha um ponto de atenção constante. A situação mantém analistas internacionais alertas para movimentos de China, Estados Unidos e Taiwan nos próximos anos, reforçando a complexidade de prever o futuro da segurança no Pacífico.
Por que isso importa?
Taiwan é uma questão territorial sensível para a China, e a queda de braço entre Beijing e o Ocidente por conta da pretensa autonomia da ilha gera um ambiente tenso, com a ameaça crescente de uma invasão pelas forças armadas chinesas a fim de anexar formalmente o território taiwanês.
Nações estrangeiras que tratem a ilha como nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o princípio “Uma Só China“, que também vê Hong Kong como parte da nação chinesa.
Embora não tenha relações diplomáticas formais com Taiwan, assim como a maioria dos demais países, os EUA são o mais importante financiador internacional e principal parceiro militar de Taipé. Tais circunstâncias levaram as relações entre Beijing e Washington a seu pior momento desde 1979, quando os dois países reataram os laços diplomáticos.
A China, em resposta à aproximação entre o rival e a ilha, endureceu a retórica e tem adotado uma postura belicista na tentativa de controlar a situação. Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan e habitualmente invadem o espaço aéreo taiwanês, deixando claro que Beijing não aceitará a independência formal do território “sem uma guerra“.