O conflito no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial — provocaram aumento expressivo nos preços dos combustíveis em todo o mundo. Diante da perspectiva de impactos duradouros, diversos governos implementaram medidas para proteger consumidores e economias. As informações são da BBC.
No Reino Unido, a gasolina atingiu o nível mais alto em 18 meses, e o governo afirmou estar pronto para intervir caso postos se beneficiem da crise, algo negado pela Associação de Varejistas de Petróleo (PRA). Famílias de baixa renda que usam óleo de aquecimento terão acesso a um pacote de 53 milhões de libras anunciado em março.
Na China, maior importadora de petróleo, autoridades ordenaram que refinarias interrompessem temporariamente as exportações, enquanto estocam cerca de 900 milhões de barris para enfrentar possíveis choques de oferta.

A Índia garantiu suprimento de petróleo bruto para os próximos 60 dias e pediu à população que evite compras por pânico, afirmando que os volumes disponíveis nos mercados internacionais compensam interrupções no Estreito de Ormuz.
Na Irlanda, impostos sobre gasolina e diesel foram reduzidos, e a suspensão de taxas da Agência Nacional de Reservas de Petróleo (NORA) contribuiu para baixar o preço do óleo de aquecimento doméstico.
Na Austrália, transporte público gratuito foi adotado em Victoria e Tasmânia para reduzir o uso de veículos particulares, enquanto os preços da gasolina subiram de A$ 2,09 para A$ 2,38 por litro desde o início do conflito.
No Egito, lojas, restaurantes e cafés devem fechar mais cedo, iluminação pública e publicidade foram reduzidas, e funcionários de serviços não essenciais trabalham remotamente um dia por semana. O governo também aumentou preços de combustível e tarifas de transporte público.
Nas Filipinas, estado de emergência nacional foi declarado, com subsídios a motoristas de transporte, redução de serviços de ferry e semana de trabalho de quatro dias para servidores públicos. O presidente Ferdinand Marcos afirmou que “nada está descartado” e que novas medidas podem ser adotadas.
O Sri Lanka implementou racionamento de combustível e decretou feriados semanais para escolas e universidades, limitando abastecimento a 15 litros por semana para motoristas e 5 litros para motociclistas.
Na Tailândia, órgãos governamentais trabalham de casa, a população foi orientada a ajustar ar-condicionado entre 26 e 27°C, e recomendações de economia de energia foram reforçadas.
Na Etiópia, combustíveis são priorizados para segurança, projetos estratégicos e indústrias essenciais, enquanto a região de Tigré teve fornecimento suspenso.
Em Mianmar, veículos particulares circulam em dias alternados, enquanto racionamento digitalizado de combustível é monitorado via QR code.
O Vietnã incentiva cidadãos a usar bicicletas, transporte público e compartilhamento de carros, além de suspender temporariamente impostos sobre gasolina e diesel.
Bangladesh antecipou feriados universitários e iniciou racionamento de combustível, com apagões programados para reduzir consumo de energia.
A Eslovênia se tornou o primeiro país da UE a limitar a compra de combustível: motoristas particulares podem adquirir até 50 litros por dia, enquanto empresas e agricultores têm cota de 200 litros.
No Sudão do Sul, a capital Juba sofre cortes de energia em regime de rodízio. Apesar de possuir reservas de petróleo, o país exporta a maior parte e importa combustível refinado; 96% da eletricidade é gerada a partir do petróleo.
No Brasil
Apesar de ser produtor líquido de petróleo, o Brasil também sente os efeitos da alta internacional. Para conter o impacto sobre consumidores, o governo federal adotou subsídios ao diesel, reduziu tributos federais sobre combustíveis e orientou a Petrobras a não repassar imediatamente os aumentos do mercado internacional aos preços internos, relatou a Reuters.
Segundo a estatal, refinarias operam acima da capacidade para garantir oferta estável, e contratos existentes foram priorizados para evitar desabastecimento. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) monitora postos para coibir aumentos abusivos. Especialistas apontam que essas medidas evitam racionamento, mas não eliminam pressão sobre preços de combustíveis e transporte.