Rússia quer testar um em cada três cidadãos por ano para conter avanço do HIV

Com casos em alta e uma das maiores prevalências da Europa, governo russo aposta na ampliação da testagem como principal estratégia de controle

A Rússia pretende ampliar significativamente a testagem para HIV e passar a examinar, anualmente, cerca de um terço de sua população. A recomendação foi feita nesta sexta-feira (17) pelo ministro da Saúde, Mikhail Murashko, em meio ao avanço contínuo das infecções no país. As informações são do The Moscow Times.

Segundo o ministro, expandir a cobertura de triagem é essencial para reduzir a transmissão do vírus causador da AIDS. A orientação inclui atenção especial a grupos considerados de maior risco, mas com alcance também à população em geral.

A medida surge em um cenário preocupante. Mesmo com níveis recordes de testagem, a Rússia segue registrando crescimento nos casos e já apresenta uma das maiores taxas de prevalência de HIV da Europa.

Kit de teste rápido de HIV (Foto: WikiCommons)

Dados do órgão estatal Rospotrebnadzor mostram que mais de 54 milhões de pessoas, cerca de 37% da população, realizaram testes em 2024, o maior número em pelo menos uma década. O volume representa um aumento de 7% em relação ao ano anterior e quase o dobro dos exames feitos em 2014.

Ainda assim, o país mantém índices elevados. Informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam uma prevalência de 890 casos por 100 mil habitantes, patamar superior ao de países europeus como França, Reino Unido e Suécia, e próximo ao observado em algumas nações africanas.

O número total de pessoas vivendo com HIV na Rússia também segue em expansão. Em 2025, o contingente chegou a 1,25 milhão, um aumento de 35 mil em relação ao ano anterior, segundo dados do Centro Científico e Metodológico Federal para Prevenção e Controle da AIDS.

Especialistas alertam para o risco elevado de infecção, especialmente entre adultos em idade ativa. Estimativas indicam que mais de 1% da população entre 15 e 50 anos está infectada, proporção que pode chegar a cerca de 4% entre homens de 40 a 45 anos.

Outro desafio é a subnotificação. Embora cerca de 900 mil pessoas estejam oficialmente em acompanhamento médico, o número real de infectados pode ser maior, evidenciando falhas no diagnóstico e no acesso ao tratamento.

Diante desse cenário, o governo russo aposta na detecção precoce como principal ferramenta para conter o avanço do vírus. A ampliação da testagem, segundo Murashko, é considerada a estratégia mais eficaz para frear a disseminação do HIV no país.

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