O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira (4) que a população do Irã deveria ter acesso a armas para enfrentar o governo, em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã. A declaração foi feita durante entrevista ao programa The Hugh Hewitt Show e marca um endurecimento no discurso dos Estados Unidos em relação à crise iraniana. As informações são da rede Iran International.
Segundo Trump, manifestantes iranianos enfrentam desvantagem diante das forças de segurança por não estarem armados. Ele argumentou que, caso tivessem acesso a armamento, poderiam reagir com mais eficácia. O presidente também indicou que a pressão militar dos EUA já teria enfraquecido significativamente o país e sugeriu que novas ações poderiam ocorrer em um curto prazo.

O republicano também citou a repressão a protestos anteriores no Irã, destacando o alto número de mortes e afirmando estar “dividido” sobre incentivar novos levantes populares. Ainda assim, reiterou que uma população desarmada teria dificuldades para enfrentar forças equipadas com armamento pesado.
Em declarações anteriores à Fox News, Trump afirmou que seu governo tentou enviar armas a manifestantes iranianos por meio de intermediários, mas que o material não teria chegado ao destino final. A alegação foi negada por grupos curdos mencionados pelo presidente.
No Congresso, aliados reforçaram a proposta. O senador Lindsey Graham defendeu o armamento direto de civis iranianos como alternativa ao envio de tropas americanas. Segundo ele, a medida poderia alterar o equilíbrio interno do conflito sem intervenção militar direta dos Estados Unidos.
As declarações ocorrem em meio a uma estratégia mais ampla de pressão sobre o Irã. Trump afirmou que a capacidade militar e econômica do país foi reduzida, citando fragilidades nas forças armadas e possíveis dificuldades financeiras do governo iraniano.
Apesar do discurso mais agressivo, o presidente ressaltou que o principal objetivo continua sendo impedir o avanço do programa nuclear iraniano. Ele afirmou que qualquer acordo futuro deverá incluir restrições rigorosas ao enriquecimento de urânio e ao desenvolvimento de mísseis.
Especialistas avaliam que a retórica indica uma possível mudança de postura dos Estados Unidos, aproximando-se de um cenário de maior confronto indireto. Ao mesmo tempo, o debate sobre armar civis em outro país levanta questionamentos sobre legalidade internacional e riscos de escalada do conflito.