Moeda do Irã derrete e atinge pior nível da história em meio ao conflito com EUA e Israel

Rial perde quase 15% em poucos dias, inflação dispara e crise econômica se aprofunda com impacto no petróleo global

A moeda do Irã atingiu sua mínima histórica frente ao dólar em meio ao agravamento da guerra e ao endurecimento das medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos. O cenário amplia a pressão sobre a economia do país, que já enfrentava altos níveis de inflação antes do conflito. As informações são da Radio Free Europe.

O rial chegou a 1,81 milhão por dólar em 29 de abril, segundo relatos da imprensa iraniana, acumulando desvalorização próxima de 15% em poucos dias. Apesar de uma leve recuperação no dia seguinte, o movimento reforça a instabilidade cambial em um momento de forte deterioração econômica.

Rial iraniano circulando no comércio local (Foto: Adam Jones/Flickr)

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra alvos iranianos. Desde então, Washington intensificou a pressão ao impor um bloqueio naval a portos e embarcações iranianas, medida que compromete diretamente as exportações de petróleo, principal fonte de receita externa do país.

Além da queda nas exportações, o bloqueio também afeta a produção interna e contribui para o avanço da inflação. Dados do Banco Central do Irã indicam que a inflação anual, que já superava 40% antes da guerra, chegou a 50% no início de abril.

Na prática, o impacto já é sentido pela população. Relatos apontam aumento expressivo nos preços de itens básicos, como arroz, ovos e frango, agravando o custo de vida e reduzindo o poder de compra.

A deterioração econômica ocorre em paralelo a um cenário de tensão social. Protestos iniciados em janeiro ganharam força nos últimos meses, impulsionados pela inflação e pela piora nas condições de vida. Organizações de direitos humanos afirmam que a resposta das autoridades foi marcada por repressão intensa, com milhares de mortos.

Mesmo após um cessar-fogo acordado entre Irã e Estados Unidos em 8 de abril, as medidas econômicas foram ampliadas. Em 13 de abril, Washington reforçou o bloqueio, dificultando o acesso iraniano a divisas estrangeiras.

Como resposta, o Irã fechou, na prática, o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás. A medida teve efeito imediato nos mercados internacionais.

No dia 29 de abril, o petróleo Brent subiu quase 7%, superando US$ 126 por barril, o maior nível desde 2022. O movimento evidencia o impacto direto da crise iraniana sobre o mercado global de energia e reforça o risco de novos choques econômicos internacionais.

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