Rússia perde território na Ucrânia em abril pela primeira vez desde 2023, aponta análise

Dados do ISW indicam recuo de 120 km² e desaceleração dos avanços russos em meio a impasse militar e pressão de drones ucranianos

A Rússia perdeu mais território do que conquistou na Ucrânia em abril de 2026, marcando a primeira retração mensal desde a contraofensiva ucraniana de 2023. A informação consta em uma análise da agência AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, da sigla em inglês), referência internacional no monitoramento do conflito. As informações são do The Moscow Times.

De acordo com o levantamento, Moscou cedeu cerca de 120 quilômetros quadrados entre março e abril. O recuo ocorre em um momento em que a linha de frente apresenta sinais de estagnação, mas os combates seguem intensos, especialmente com o uso crescente de drones em ataques contínuos e letais.

Soldados do exército russo em treinamento (Foto: eng.mil.ru)

A desaceleração do avanço russo, observada desde o fim de 2025, está ligada a uma combinação de fatores. Entre eles, falhas de comunicação nas tropas, contra-ataques ucranianos e limitações logísticas. Segundo o ISW, medidas como o bloqueio previsto para 2026 do uso de terminais da Starlink pela Rússia e restrições ao aplicativo Telegram agravaram dificuldades já existentes nas forças armadas russas.

Apesar da perda territorial, a presença militar russa ainda se mantém significativa. Estimativas indicam que tropas de Moscou continuam posicionadas em cerca de três quartos das áreas anteriormente recuperadas pela Ucrânia.

Outro fator apontado na análise é o impacto das condições climáticas. O degelo do solo e as chuvas de primavera tornam o terreno mais instável, dificultando operações mecanizadas, cenário que historicamente reduz a mobilidade de tropas e veículos blindados.

No mesmo período, a Ucrânia conseguiu avanços pontuais em regiões estratégicas do leste, como Zaporizhzhia, Kharkiv e Donetsk, recuperando aproximadamente 40 km² em cada uma dessas áreas. Ainda assim, os ganhos são considerados limitados em termos percentuais.

Os cálculos da AFP não incluem táticas de infiltração, frequentemente utilizadas pela Rússia, nem avanços reivindicados por Moscou que não tenham confirmação independente.

Mesmo com a retração registrada em abril, a Rússia ainda ocupa cerca de 19% do território ucraniano. Esse número inclui a Crimeia, anexada em 2014, e partes das regiões de Donetsk e Luhansk já controladas por forças pró-Rússia antes da invasão em larga escala iniciada em 2022.

O ISW atua em parceria com o Critical Threats Project, ligado ao American Enterprise Institute, e é uma das principais fontes de análise estratégica sobre o andamento da guerra.

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