A China deixou de ser apenas a fábrica do mundo para se transformar também no novo centro global da indústria automotiva. O avanço dos carros elétricos produzidos em território chinês está mudando a estratégia de montadoras europeias e asiáticas, que passaram a utilizar fábricas locais como plataformas de exportação para o resto do planeta. As informações são do Financial Times.
Empresas como Volkswagen, Nissan, Stellantis, BMW e Hyundai estão aumentando a produção de veículos na China para abastecer mercados da Europa, América Latina, Oriente Médio e Sudeste Asiático.
A movimentação ocorre em meio à explosão das exportações chinesas de automóveis. Segundo dados do setor, a China exportou mais de 7 milhões de veículos no último ano, consolidando-se como a maior exportadora automotiva do mundo. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, os embarques cresceram 61%.

A estratégia é impulsionada por custos muito menores de produção, forte domínio tecnológico em baterias e ampla capacidade industrial. Executivos da Volkswagen chegaram a afirmar que um veículo elétrico pode ser produzido na China pela metade do custo registrado em outros países.
Além das marcas chinesas como BYD, Chery e Geely, grupos tradicionais passaram a depender cada vez mais da infraestrutura chinesa para sobreviver à transição global para os carros elétricos.
A Nissan, por exemplo, pretende exportar 300 mil veículos produzidos na China até 2030. Já a Stellantis firmou parcerias com fabricantes chineses para produzir modelos elétricos destinados a mercados internacionais.
Enquanto isso, a Europa vive um dilema. De um lado, precisa competir com veículos mais baratos e tecnologicamente avançados. De outro, teme que a dependência da China enfraqueça sua indústria automobilística e provoque fechamento de fábricas e perda de empregos.
A União Europeia (UE) já respondeu com tarifas que chegam a 45% sobre veículos chineses e discute novas exigências de conteúdo local para carros vendidos no continente. Ainda assim, especialistas avaliam que será difícil conter o avanço chinês.
Analistas apontam que a liderança da China não se resume mais a baixos custos. O país passou a dominar áreas estratégicas como software automotivo, baterias e velocidade de desenvolvimento tecnológico.