Três meses após iniciar a ofensiva militar contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump enfrenta questionamentos crescentes sobre os resultados estratégicos da guerra no Oriente Médio. Embora as forças americanas tenham obtido sucessos militares importantes, especialistas avaliam que os principais objetivos políticos e geopolíticos do conflito ainda não foram atingidos. As informações são da Reuters.
Segundo análise publicada pela reportagem, o governo americano conseguiu enfraquecer parte da estrutura militar iraniana, reduzindo arsenais de mísseis balísticos e atingindo alvos estratégicos ligados ao regime de Teerã. Ainda assim, o Irã continua exercendo influência sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de petróleo e gás, além de manter resistência às exigências nucleares impostas pelos EUA.

Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que Trump tenta transformar vitórias táticas em uma narrativa de triunfo geopolítico, mas encontra dificuldades diante da permanência da instabilidade regional e da capacidade iraniana de retaliar economicamente e militarmente.
O ex-negociador americano para o Oriente Médio Aaron David Miller afirmou que a guerra, inicialmente planejada como uma operação rápida, pode acabar se tornando um “fracasso estratégico de longo prazo” para a Casa Branca.
A ofensiva militar também ampliou a pressão interna sobre Trump. O conflito ocorre em meio à alta nos preços dos combustíveis nos EUA, queda nos índices de aprovação do presidente e aproximação das eleições legislativas de novembro, consideradas fundamentais para o controle do Congresso americano.
Outro ponto considerado crítico por especialistas é o programa nuclear iraniano. Apesar dos ataques realizados pelos EUA e por Israel, ainda há indícios de que parte do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã continue preservado em instalações subterrâneas.
Além disso, autoridades iranianas demonstram pouca disposição em aceitar limitações significativas ao enriquecimento de urânio, defendendo o direito de manter o programa nuclear para fins considerados pacíficos.
Especialistas em política internacional também avaliam que o conflito pode produzir um efeito contrário ao desejado pelos EUA: acelerar o interesse iraniano em desenvolver armamento nuclear como mecanismo de defesa, em estratégia semelhante à adotada pela Coreia do Norte.
Enquanto isso, o governo Trump tenta sustentar a narrativa de sucesso militar. A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, declarou que os Estados Unidos “atingiram ou superaram todos os objetivos militares” da operação contra o Irã.
Mesmo assim, a guerra já dura mais do que o prazo inicialmente previsto pelo próprio presidente americano e começa a provocar divisões até mesmo entre aliados republicanos e integrantes da base política ligada ao movimento MAGA (“Make America Great Again”), associado ao chefe da Casa Branca.
Analistas também alertam para os impactos diplomáticos da ofensiva. Países europeus teriam demonstrado desconforto com a condução unilateral do conflito, enquanto potências como China e Rússia acompanham atentamente as vulnerabilidades demonstradas pelas forças americanas diante das estratégias assimétricas utilizadas pelo Irã.