Uma investigação publicada pelo jornal israelense Haaretz revelou detalhes de uma suposta operação secreta do Mossad (serviço de inteligência de Israel) que tinha como objetivo derrubar o regime iraniano e instalar o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad como líder de uma nova ordem política em Teerã. Segundo a reportagem, o plano teria sido desenvolvido ao longo de 2025 e início de 2026, sob forte influência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do diretor do Mossad, David Barnea, em meio ao agravamento das tensões entre Israel e Irã.
De acordo com o Haaretz, a estratégia combinava operações de influência dentro do Irã, apoio a grupos minoritários, especialmente milícias curdas no Iraque, ataques militares contra estruturas do regime e uma campanha destinada a enfraquecer o poder dos aiatolás.
A etapa final previa o surgimento de Ahmadinejad como uma figura capaz de assumir o controle do país após um eventual colapso do governo iraniano. Autoridades israelenses envolvidas na operação acreditavam que o ex-presidente, antes conhecido por sua retórica radical contra Israel, havia se transformado em um crítico relevante do regime e poderia conduzir o país por uma nova direção política.

A reportagem relata que o Mossad teria investido recursos significativos para ampliar sua influência dentro do Irã, incluindo ações no Grande Bazar de Teerã, considerado um importante termômetro da opinião pública iraniana. Paralelamente, foram estabelecidos contatos com grupos curdos que, segundo o plano, invadiriam regiões do oeste iraniano sob cobertura da Força Aérea de Israel. A expectativa era que a ofensiva provocasse uma reação em cadeia, estimulando protestos populares e enfraquecendo o aparato de segurança do regime.
Apesar do entusiasmo de Netanyahu e de setores do Mossad, a proposta encontrou forte resistência dentro da própria estrutura de segurança israelense. Avaliações da Inteligência Militar classificaram as chances de sucesso como reduzidas e alertaram para a falta de garantias de que grupos armados ou a população iraniana reagiriam conforme o esperado. O então conselheiro de Segurança Nacional, Tzachi Hanegbi, chegou a definir os planos como “ficção científica”, enquanto autoridades americanas demonstraram ceticismo semelhante. Segundo a investigação, integrantes do governo dos Estados Unidos consideraram o projeto distante da realidade e sem perspectivas concretas de êxito.
O plano acabou fracassando antes mesmo de sua execução completa. Embora Israel e Estados Unidos tenham realizado ataques contra o Irã, a esperada invasão curda nunca ocorreu e os demais grupos que deveriam participar da operação não avançaram. A falta de apoio explícito de Washington foi apontada como um dos fatores decisivos para o colapso da iniciativa. Sem a ofensiva terrestre e sem as revoltas planejadas, a estratégia de mudança de regime foi abandonada, encerrando uma das mais ambiciosas operações já concebidas pelo serviço de inteligência israelense, segundo o relato do Haaretz.
Nos bastidores, o fracasso gerou críticas dentro do próprio establishment de segurança de Israel. Ex-dirigentes do Mossad e autoridades militares ouvidas pelo jornal afirmaram que uma operação dessa magnitude exigiria muitos anos de preparação e que o projeto foi construído sobre premissas excessivamente otimistas. Para essas fontes, a tentativa de provocar uma mudança de regime em poucos meses ignorou obstáculos políticos, militares e sociais que tornavam o objetivo extremamente improvável.
Ahmadinejad estaria em prisão domiciliar
Segundo reportagens publicadas pelo The New York Times e repercutidas pela imprensa internacional, o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad estaria em prisão domiciliar sob vigilância da Guarda Revolucionária do Irã. As medidas teriam sido adotadas após autoridades iranianas descobrirem supostos contatos entre Ahmadinejad e o Mossad, a agência de inteligência de Israel, em meio a alegações de um plano para promovê-lo como alternativa ao atual regime iraniano.
O ex-presidente, que governou o Irã entre 2005 e 2013, nega as acusações. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (14), seu gabinete classificou as informações como “completamente falsas” e rejeitou as alegações de que Ahmadinejad esteja detido ou tenha mantido qualquer colaboração com Israel.