10 anos depois, Brexit enfrenta crescente rejeição e é apontado como freio na economia do Reino Unido

Pesquisas mostram aumento da insatisfação com a saída da União Europeia, enquanto empresários e economistas apontam impactos negativos sobre crescimento, investimentos e comércio

Dez anos após o referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o Brexit enfrenta um cenário muito diferente daquele prometido por seus defensores em 2016. O que foi apresentado como uma oportunidade para recuperar a soberania nacional e impulsionar a economia britânica é hoje alvo de críticas crescentes de empresários, economistas e parte significativa da população. As informações são da Associated Press.

Uma pesquisa recente realizada pela Ipsos revelou que quase metade dos britânicos acredita que o Brexit produziu resultados piores do que o esperado. O levantamento mostra uma mudança significativa de percepção em comparação com os primeiros anos após a votação histórica que redefiniu o futuro político e econômico do país.

Caminhões aguardam na alfândega do Porto de Dover, a principal ligação entre o Reino Unido e a União Europeia, em janeiro de 2021 (Foto: CreativeCommons/gothiic.angels)
Impacto na economia do Reino Unido

O principal ponto de debate continua sendo o impacto do Brexit na economia do Reino Unido. Desde a saída oficial da União Europeia, em janeiro de 2020, empresas britânicas passaram a enfrentar novas barreiras comerciais, aumento da burocracia e custos mais elevados para exportar produtos ao mercado europeu.

Estudos recentes indicam que o Brexit reduziu o Produto Interno Bruto (PIB) britânico, afetou os investimentos privados e contribuiu para a queda da produtividade em diversos setores da economia.

Especialistas argumentam que a saída do mercado único europeu dificultou o acesso ao principal parceiro comercial britânico. Atualmente, os países da UE ainda representam cerca de 41% das exportações britânicas e aproximadamente metade das importações do país.

Empresários divergem, mas compartilham frustrações

Mesmo entre empresários que apoiaram a saída da União Europeia, há sinais de frustração. Muitos afirmam que os benefícios prometidos pelo Brexit demoraram a aparecer ou não se concretizaram da forma esperada.

Representantes da indústria automobilística britânica, por exemplo, alertam que o aumento da burocracia elevou custos e reduziu a competitividade do setor. O impacto também atingiu áreas dependentes de trabalhadores estrangeiros, especialmente segmentos ligados à alimentação, hotelaria e serviços.

A redução da imigração proveniente da Europa Oriental criou dificuldades para empresas que tradicionalmente dependiam dessa mão de obra, gerando escassez de profissionais em diversas regiões do país.

Brexit e imigração no centro do debate

O controle da imigração foi um dos principais argumentos utilizados durante a campanha que levou à aprovação do Brexit. No entanto, a questão continua sendo um desafio para os governos britânicos.

Apesar das mudanças nas regras migratórias, o Reino Unido segue enfrentando pressão relacionada à chegada de migrantes e refugiados, especialmente pelas rotas marítimas do Canal da Mancha.

Para críticos da saída da União Europeia, esse cenário demonstra que algumas das promessas centrais da campanha pró-Brexit ainda não foram plenamente cumpridas.

Relação com a UE pode mudar

Diante das dificuldades econômicas e da insatisfação crescente da população, lideranças políticas britânicas passaram a defender uma relação mais próxima com a União Europeia, sem que isso signifique um retorno ao bloco.

As discussões envolvem medidas para facilitar o comércio, reduzir barreiras burocráticas e fortalecer a cooperação econômica entre Londres e Bruxelas.

Embora a possibilidade de reingresso na União Europeia permaneça distante, o debate sobre os efeitos do Brexit continua vivo e deve seguir influenciando a política britânica nos próximos anos.

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