Virada ucraniana: drones atravessam milhares de quilômetros e levam a guerra até cidades russas

Campanha de drones de longo alcance atinge refinarias, aeroportos e instalações estratégicas da Rússia, enquanto Kiev busca aumentar a pressão militar e econômica sobre Moscou

A Ucrânia intensificou sua campanha de ataques com drones de longo alcance contra alvos em território russo, ampliando uma estratégia que busca atingir instalações militares, refinarias de petróleo e estruturas consideradas essenciais para o esforço de guerra de Moscou.

Segundo uma reportagem publicada pela POLITICO, equipes do serviço de inteligência militar da Ucrânia (GUR) operam uma rede de drones capazes de percorrer milhares de quilômetros e atingir alvos muito além da linha de frente. Entre os equipamentos utilizados está o drone kamikaze Liutyi, projetado para transportar explosivos e realizar ataques de precisão em áreas estratégicas.

Soldado ucraniano exibe o drone “Punisher” (“Justiceiro”), uma aeronave não tripulada utilizada em operações militares durante a guerra entre Ucrânia e Rússia (Foto: WikiCommons)

De acordo com militares ucranianos entrevistados pela publicação, a operação cresceu significativamente desde o início de 2024. O que começou com o lançamento de algumas dezenas de drones por mês teria evoluído para centenas de aeronaves enviadas regularmente contra alvos em território russo.

Os ataques fazem parte da estratégia do governo do presidente Volodymyr Zelensky para aumentar o custo da guerra para Moscou e levar os impactos do conflito para além do campo de batalha. Segundo um comandante identificado pelo codinome “Vector”, a mensagem enviada à Rússia é que a guerra já não afeta apenas as regiões próximas à fronteira, mas também áreas do interior do país.

Refinarias e setor energético estão entre os principais alvos

As refinarias de petróleo se tornaram um dos focos prioritários dos ataques ucranianos. A infraestrutura energética é considerada fundamental para financiar a máquina de guerra russa, já que as receitas provenientes da exportação de petróleo e gás representam uma parcela significativa do orçamento federal do país.

Autoridades russas reconheceram recentemente uma redução na produção de petróleo em algumas regiões, atribuindo a situação a manutenções não programadas em refinarias. Analistas ouvidos pela reportagem apontam que os ataques de drones contribuíram para interrupções temporárias das operações em diversas instalações.

Além das refinarias, aeroportos, depósitos militares e centros logísticos também estão entre os alvos monitorados pelas forças ucranianas.

Tecnologia e IA ganham papel central

A operação utiliza sistemas avançados de planejamento e análise de dados. Segundo a reportagem, uma plataforma de inteligência artificial chamada Prisma auxilia na definição das rotas de voo, processando informações em tempo real sobre condições climáticas, posicionamento das defesas aéreas russas e histórico de missões anteriores.

Os militares afirmam que as rotas são constantemente alteradas para dificultar a interceptação dos drones. A estratégia inclui ainda o uso de drones de isca, enviados para confundir os sistemas de defesa antiaérea e abrir caminho para as aeronaves carregadas com explosivos.

Especialistas avaliam impacto da estratégia

Especialistas militares consultados pela reportagem afirmam que a dimensão territorial da Rússia, tradicionalmente considerada uma vantagem estratégica, passou a representar um desafio diante da expansão dos ataques de longo alcance.

O ex-comandante do Exército dos Estados Unidos na Europa, Ben Hodges, afirmou que a Rússia enfrenta dificuldades para proteger simultaneamente refinarias, bases militares, estaleiros e outras instalações críticas espalhadas por seu vasto território.

Apesar disso, analistas observam que a economia russa continua operando e que os impactos dos ataques ainda não são suficientes para provocar um colapso econômico. No entanto, as ações ucranianas vêm aumentando a pressão sobre setores estratégicos e obrigando Moscou a ampliar seus investimentos em defesa aérea.

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