“Direito de punir”: Lei chinesa amplia poder de Beijing para agir contra pessoas no exterior

Nova legislação chinesa sobre unidade étnica entra em vigor em 1º de julho e permite responsabilizar pessoas e grupos fora do país por atos considerados separatistas por Beijing

A China afirmou nesta quarta-feira (24) que tem o direito de responsabilizar pessoas fora de seu território que violem a nova lei chinesa sobre unidade étnica. A legislação entra em vigor em 1º de julho. As informações são da Reuters.

A medida permite que indivíduos e grupos no exterior sejam processados por ações que, segundo Beijing, prejudiquem a “unidade e o progresso étnicos” ou incentivem o separatismo étnico.

A declaração foi feita pelo vice-ministro da Justiça da China, Hu Weilie, durante uma entrevista coletiva em Beijing.

Nova lei chinesa sobre unidade étnica, que entra em vigor em 1º de julho, prevê responsabilização de pessoas e grupos no exterior por atos classificados por Beijing como separatistas (Ilustração: IA)

Segundo ele, a aplicação da lei chinesa sobre unidade étnica fora das fronteiras do país está de acordo com princípios jurídicos e práticas internacionais.

“Todos os países do mundo têm o direito de prevenir atividades separatistas e destrutivas e de preservar a solidariedade social e a ordem normal por meio de sua legislação nacional”, afirmou Hu.

Lei entra em vigor em julho

A China aprovou a nova legislação em março. O objetivo declarado é fortalecer uma identidade nacional compartilhada entre os 55 grupos étnicos minoritários reconhecidos pelo país.

Entre esses grupos estão tibetanos e uigures. Parte dessas populações critica o controle exercido pelo governo chinês e, ao longo das últimas décadas, houve protestos contra Beijing em regiões como Xinjiang e Tibete.

A nova lei chinesa sobre unidade étnica prevê punições para atos considerados uma ameaça à coesão nacional. O texto também amplia o alcance da legislação para pessoas e organizações localizadas fora da República Popular da China.

Hu afirmou que a cláusula extraterritorial busca impedir “atos ilícitos relacionados a questões étnicas provenientes de fora do país”.

Taiwan e ONGs preocupadas

A legislação gerou preocupação em Taiwan, território autônomo reivindicado pela China. Autoridades e analistas temem que Beijing use a norma como mais uma ferramenta para pressionar taiwaneses acusados de defender a independência da ilha.

Grupos de direitos humanos também criticam a possibilidade de aplicação da lei chinesa sobre unidade étnica em outros países.

Essas organizações já acusaram Beijing de tentar utilizar alertas vermelhos da Interpol para pressionar governos estrangeiros a deter pessoas procuradas por crimes políticos.

Os alertas vermelhos são pedidos de cooperação policial internacional. Eles não equivalem, por si só, a mandados de prisão internacionais.

Governo diz que medida não afetará intercâmbios

Hu Weilie disse que veículos de imprensa ocidentais interpretaram de forma equivocada a cláusula sobre atividades no exterior.

De acordo com o vice-ministro, a lei não afetará intercâmbios entre cidadãos chineses e estrangeiros, debates acadêmicos, relações comerciais ou outras atividades consideradas normais.

O governo chinês sustenta que a medida ajudará a proteger a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país.

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