O partido criado como piada que está tirando o sono do governo da Índia

Nascido nas redes sociais, o Partido das Baratas reúne milhares de jovens em protestos contra o desemprego, a corrupção e os vazamentos de provas nacionais

A Índia assiste ao crescimento de um movimento político incomum que começou como uma piada na internet e se transformou em uma das maiores mobilizações juvenis do país nos últimos anos. Conhecido como Partido das Baratas (Cockroach Janta Party), o grupo levou milhares de manifestantes às ruas de Nova Délhi nesta semana para exigir a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em meio a denúncias de vazamentos de exames nacionais e críticas ao sistema educacional. As informações são do NPR.

Os protestos culminaram em confrontos com a polícia nas proximidades do Parlamento indiano. Autoridades ergueram barricadas, fecharam estações de metrô e restringiram o acesso à internet móvel na região. Manifestantes acusam as forças de segurança de usar gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar a multidão, enquanto a polícia nega o uso excessivo da força.

(Foto: Cockroach Janta Party/Reprodução Instagram)

O movimento surgiu após uma declaração do presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, que comparou jovens desempregados a “baratas” durante uma audiência pública. A fala provocou forte reação nas redes sociais e inspirou o publicitário Abhijeet Dipke, de 30 anos, a criar uma página satírica que rapidamente ganhou milhões de seguidores.

Com o crescimento da adesão popular, a sátira evoluiu para uma plataforma de reivindicações concretas. Entre as principais demandas estão a responsabilização de autoridades por sucessivos vazamentos de provas nacionais, a libertação de ativistas detidos durante os protestos e medidas para combater o desemprego entre os jovens.

A revolta ganhou força após um escândalo envolvendo o exame de admissão para cursos de medicina. Em maio, questões da prova teriam circulado em aplicativos de mensagens antes da aplicação do teste. O caso afetou mais de dois milhões de candidatos e reacendeu críticas sobre a integridade do sistema educacional indiano. Segundo relatos da imprensa local, a necessidade de reaplicação de exames também provocou uma onda de frustração entre estudantes e famílias.

Além da educação, o movimento reflete preocupações mais amplas com a situação econômica do país. Apesar de a Índia registrar um dos maiores ritmos de crescimento entre as grandes economias mundiais na última década, especialistas apontam que a criação de empregos qualificados não acompanha o número crescente de formandos. Estimativas citadas por economistas locais indicam que cerca de 40% dos graduados indianos com menos de 25 anos estão desempregados.

Para muitos participantes, o Partido das Baratas se tornou um símbolo de insatisfação com instituições consideradas distantes das necessidades da população jovem. Estudantes e recém-formados relatam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho e desconfiança em relação aos processos de seleção para universidades e cargos públicos.

O governo do primeiro-ministro Narendra Modi tem minimizado o movimento e acusa seus integrantes de promover instabilidade política. Já os organizadores afirmam que o objetivo é pressionar por reformas e ampliar a transparência em áreas como educação, emprego e administração pública.

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