Ramzan Kadyrov, aliado próximo do presidente russo Vladimir Putin, foi reeleito para um quinto mandato como chefe da República da Chechênia, no sul da Rússia, com 99,85% dos votos. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (21) pela Comissão Eleitoral Central russo. As informações são da Reuters.
Kadyrov recebeu uma votação ligeiramente superior à registrada em 2021, quando obteve 99,73% dos votos. A eleição ocorreu paralelamente às disputas para o Parlamento russo, assembleias regionais e governos de outras regiões do país.
O resultado ocorre poucos dias depois das eleições nacionais russas, realizadas entre 18 e 20 de setembro. Como mostrou A Referência em reportagem sobre a eleição para a Duma, nenhum dos partidos autorizados a disputar a votação nacional apresentou oposição aberta a Putin e à guerra na Ucrânia. A maioria dos candidatos que defendiam o fim do conflito foi impedida de concorrer.

Kadyrov mantém uma relação política estreita com Putin e recebeu ampla autonomia para administrar a Chechênia em troca da manutenção da estabilidade na região. O território foi palco de duas guerras entre forças russas e separatistas chechenos após o fim da União Soviética e registrou uma insurgência islâmica e anti-russa durante a década de 1990.
O líder checheno costuma destacar publicamente sua lealdade pessoal a Putin e mantém uma posição de apoio à guerra na Ucrânia. Kadyrov afirma que forças chechenas participam do conflito desde 2022.
A trajetória política de Kadyrov está diretamente ligada à de seu pai, Akhmat Kadyrov, que inicialmente participou do movimento separatista checheno, mas posteriormente passou a apoiar Moscou e assumiu a liderança da república. Ele morreu em um atentado a bomba em 2004 cometido por insurgentes.
Kadyrov assumiu a presidência da Chechênia em 2007 e desde então consolidou seu controle político sobre a república. Organizações internacionais de direitos humanos acusam seu governo de violações generalizadas, incluindo perseguição a jornalistas e pessoas homossexuais. Kadyrov nega as acusações.
A nova vitória eleitoral ocorre em um momento de forte controle político na Rússia. A Referência também mostrou, em junho, a criação da Rússia Pacífica, organização formada por opositores russos exilados, liderada por Ilya Yashin e voltada à articulação de uma alternativa política ao governo Putin.