O Porto de Chancay, no Peru, começa a assumir um papel cada vez mais relevante no comércio marítimo do Pacífico latino-americano. Quase dois anos após sua inauguração, o terminal financiado e construído com participação chinesa vem ampliando suas conexões com outros portos da região e fortalecendo uma nova rota logística entre a América do Sul, a América Central e a Ásia. As informações são da agência estatal chinesa Global Times.
A expansão ganhou novo impulso com o lançamento do serviço CHX3 (Chancay Express Service 3), da chinesa COSCO Shipping Lines. A rota estabelece uma ligação semanal entre os portos de Paita e Chancay, no Peru, e Caldera, na Costa Rica, conectando diferentes pontos da costa do Pacífico.
O movimento transforma Chancay de um terminal voltado principalmente à conexão entre Peru e China em um possível centro regional de transbordo. A partir do porto peruano, cargas de diferentes países podem ser integradas a rotas de longo curso com destino à Ásia.

Rede pelo Pacífico
A expansão da rede marítima ocorre em um momento de crescimento acelerado das operações de Chancay. Desde sua inauguração, em novembro de 2024, o porto passou a concentrar uma parcela crescente das conexões comerciais entre o Peru e a China.
Segundo dados citados pela matéria, o tempo de transporte marítimo entre os dois países caiu para cerca de 23 dias, enquanto os custos logísticos foram reduzidos em aproximadamente 20%.
Em 2025, o terminal movimentou 336,2 mil TEUs de contêineres. Também foram registradas operações com cargas a granel e roll-on/roll-off, que somaram 1,595 milhão de toneladas.
A estrutura também passou a operar três grandes rotas transpacíficas e serviços marítimos regionais ao longo da costa oeste da América do Sul.
A estratégia ganhou novas conexões em 2026. Em março, uma rota direta passou a ligar Chancay ao Porto de Taicang, na província chinesa de Jiangsu, com tempo de trânsito estimado em 26 dias.
Em maio, outra ligação foi inaugurada entre Chancay e o Porto de Nanjing, também em Jiangsu. No mesmo mês, Guangzhou iniciou sua primeira rota marítima direta para o terminal peruano.
Hub latino-americano
A localização de Chancay é fundamental para a estratégia. O porto está situado na costa do Pacífico, ao norte de Lima, e foi projetado para receber grandes embarcações e funcionar como um importante centro de distribuição de cargas.
A conexão com portos de países vizinhos permite que produtos latino-americanos sejam reunidos em Chancay antes de seguir para a Ásia, enquanto mercadorias chinesas podem ser distribuídas a outros mercados da região.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, a expansão dos serviços marítimos reduz custos de transbordo e tempo de trânsito, além de aumentar a integração econômica entre os países da costa do Pacífico.
O novo serviço entre Paita, Chancay e Caldera é particularmente importante porque conecta o Peru à América Central sem depender exclusivamente de rotas internacionais de longa distância.
Para exportadores peruanos, a estrutura também pode facilitar o envio de produtos agrícolas, frutos do mar e outras mercadorias perecíveis para a China e demais mercados asiáticos.
Expansão chinesa
Chancay é considerado um dos principais projetos da Nova Rota da Seda na América Latina. A participação chinesa no empreendimento fez do terminal um dos símbolos da crescente presença de Beijing na infraestrutura logística da região.
A expansão das rotas, porém, vai além da relação bilateral entre China e Peru. Ao conectar Chancay a portos da América do Sul e da América Central, a rede marítima começa a adquirir uma dimensão regional.
O objetivo é transformar o terminal em um ponto de conexão entre diferentes cadeias de comércio. Isso inclui produtos agrícolas, minerais e industriais latino-americanos destinados à Ásia, além de mercadorias chinesas que entram nos mercados sul-americanos.
O cobre e o lítio estão entre os recursos considerados estratégicos para a indústria chinesa. A redução dos custos logísticos pode facilitar o fluxo dessas matérias-primas e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso de empresas latino-americanas às cadeias globais de fornecimento.
Próximos passos
O potencial de expansão de Chancay ainda é considerado elevado. A expectativa é de que o porto amplie sua rede de navios alimentadores ao longo das costas oeste da América do Sul e da América Central.
Uma das possibilidades é aumentar a conexão com países andinos sem saída para o mar, criando novas alternativas logísticas para mercados que atualmente dependem de portos localizados em outros países.
A digitalização das operações e o uso de inteligência artificial também estão entre as perspectivas para o terminal. A combinação entre automação, processos aduaneiros digitais e operações de menor impacto ambiental pode transformar Chancay em uma referência regional.